Por que Deus criou o homem? Esta é pergunta importante que precisa ser respondida
por aqueles que procuram compreender seu Criador e seu relacionamento com Ele. As
respostas mais comumente dadas incluem pensamentos tais como: “o homem foi criado
para a glória de Deus” ou “o homem foi feito para louvá-Lo e glorificá-Lo”. Embora estas
explicações contenham a verdade, elas mostram muito pouco do exato desígnio de Deus.
Elas falham em penetrar nas profundezas das revelações bíblicas e em providenciar uma
concepção que seja significativa para nós, individualmente. Tais respostas tendem a
transmitir uma impressão geral, impessoal, referente às intenções de Deus para com o
homem. Mas eu creio que o Deus que as Escrituras revelam tem, em seu coração, um plano
mais íntimo, de relevância pessoal, mais do que a maioria de nós poderia jamais imaginar.
Ele é um Deus de amor.
A mensagem contida aqui tem sido muito difícil para eu escrever. De fato, tentei
muitas vezes, durante anos, colocá-la no papel, mas sempre acabava achando-a
inadequada. É um assunto sobre o qual eu tenho pregado mais do que qualquer outro. Mas,
ao final de cada mensagem, eu inevitavelmente sinto que não fiz justiça a este tremendo
tema. É tão secreto e tão profundo que a simples expressão humana não é suficiente. Talvez
a verdade seja a de que o amor de Deus é verdadeiramente incomensurável. É algo que
nenhum ser humano pode expressar completamente.
Entretanto, a importância da revelação do amor de Deus por cada um e para todos os
cristãos é tão grande, tão fundamental para nossa experiência de cristianismo quanto Ele
quis que fosse, que eu sinto que devo pelo menos tentar escrever sobre parte de minha
pequena revelação sobre este vasto assunto. Possa Deus, em Sua misericórdia, dar a este
trabalho sua unção e espírito de conhecimento para que ele possa ser um veículo para
transportar até você a plenitude do amor de Deus.
A Bíblia é um livro incomparável. Nunca houve nem nunca haverá um outro livro
como este. Na verdade, seria impossível para qualquer ser humano, ou mesmo para um
grupo de seres humanos, escrever este livro. Somente Deus poderia tê-lo feito. A
complexidade da Bíblia, a dificuldade e o entrelaçamento dos assuntos lá contidos e a linha
da estória, combinados com uma exatidão surpreendente e com os detalhes contidos nela,
colocam-na muito acima de qualquer outro trabalho escrito. Quando você acrescenta a estas
considerações o fato de que este livro não foi manuscrito por um só homem num só tempo,
mas por muitos diferentes homens em um período de milhares de anos, seu caráter
extraordinário é ainda mais evidente. Qualquer leitor honesto deste livro eventualmente
será levado a ajoelhar-se em reverente louvor ao Deus poderoso.
Como em muitas obras de literatura, no início deste livro maravilhoso encontramos
umas poucas “sementes” - as primeiras pequenas introduções a tudo o que estará
acontecendo no resto de suas páginas. O livro de Gênesis não é apenas uma estória
interessante ou uma fábula sobre os primórdios da história do homem. Em vez disso, nos
primeiros capítulos nós encontramos, de uma forma muito concentrada, a essência do que
Deus estará nos falando em todo o livro. Nas primeiras páginas deste livro, o início de
todas as intenções de Deus é manifestado. Dessa forma, parece importante para nós,conforme iniciamos nossa investigação dos propósitos de Deus, olhar muito
cuidadosamente para os primeiros capítulos da Bíblia.
UMA DECISÃO IMPORTANTE.
Logo após a criação deste mundo, o Deus da glória manteve um solene conselho
consigo mesmo. Seguindo esta respeitosa conferência, Ele fez o seguinte pronunciamento :
“Vamos fazer o homem á nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gen 1:26). Isto é
algo de grande significado. O criador de todo o Universo decidiu moldar um ser que se
assemelhasse a Ele próprio. Ora, porque Deus fez algo assim? Porque Ele faria uma criatura
que pode ser descrita como uma representação miniaturizada Dele mesmo? Certamente
devemos concluir que é mais do que uma fantasia passageira, mas que nosso Deus tinha em
Sua mente um propósito glorioso. O homem não era um experimento, uma reflexão tardia
ou simplesmente um novo tipo de criatura com a qual Ele povoaria a Terra. Pelo
contrário, quando formou o homem, Deus estava estabelecendo um insondável plano que
emanou das profundezas de Seu coração. Consequentemente, o homem é uma criatura
única nos desígnios do Todo-poderoso. Ele foi o único ser criado com o grande privilégio
de ser feito á imagem e semelhança do Deus Altíssimo. Verdadeiramente nós fomos feitos
de “maneira terrível e maravilhosa” (Salmo 139:14).
Deus iniciou a Sua criação da raça humana com um único indivíduo : Adão.
Entretanto, conforme Ele contemplava Sua criação (para a maioria da qual Ele antes
pronunciara que era “muito bom” (Gen 1:31), Ele notou que algo estava faltando. Sua
atenção se centralizou na falta de um elemento que Ele, evidentemente, considerou ser uma
importante deficiência–Adão não tinha esposa. Foi neste contexto que Deus proferiu
algumas palavras que são especialmente importantes e que, creio eu, revelam-nos algo
sobre Seu próprio coração. Ele disse: “Não é bom que o homem esteja só” (Gen 2:18).
Porque Deus faria tal coisa? Porque Ele faria tanto esforço para criar Adão e, então, assim
que o trabalho terminou, declará-lo inacabado? Um incidente como este deve ser mais do
que simples coincidência. Parece possível que, enquanto Ele pronunciava esta sentença
sobre o primeiro homem, Ele estava externando um ardente desejo que sentia bem
profundo em Seu próprio coração. Poderia ser que nosso Deus não gosta de estar sozinho?
Poderia ser que Ele deseja uma união íntima com um ser como Ele mesmo? Podemos nós
compreender desta eloqüente pintura que talvez nosso Deus pretenda se casar? A resposta
a esta questão é, indubitavelmente, sim.
Fora de dúvidas, Deus está nos falando através desta passagem, sobre algo que está
no fundo de Seu coração. Mantendo este pensamento em mente, vamos examinar juntos
mais um pouco das Escrituras e ver como elas na verdade dão suporte a tal hipótese.Á PROCURA DE UMA NOIVA.
Um pouco depois de ter feito o primeiro homem, Deus declara seu trabalho
incompleto e, então, decide edificar uma noiva para Adão. Entretanto, em vez de começar
imediatamente o trabalho, Ele fez uma coisa incomum. Primeiro, Ele trouxe todos os
animais diante dos olhos de Adão e Adão deu nome a eles. Mas, nós lemos, “não foi
encontrada uma ajudadora comparável a ele” (Gen 2:20). Que interessante é esta afirmação!
Parece que Deus não estivesse simplesmente solicitando a Adão que nomeasse os animais
como uma pequena tarefa antes de seu casamento, mas, mais importante, Ele estava
procurando por uma ajudadora adequada para ele. Ele e Adão estavam juntos examinando
todos estes pássaros e feras á procura de uma companheira adequada. Entretanto,
nenhuma pôde ser encontrada.
Claro que estou certo que muitas destas criaturas eram muito agradáveis. Imagino
que algumas pareciam bem atraentes, graciosas e fofinhos. Mas, de algum modo, algo não
estava certo. Nenhuma delas poderia provocar uma resposta dentro deste homem. Então,
conforme já discutimos, Deus pôs-se a trabalhar para remediar a situação. Posteriormente,
quando Adão acordou, ele foi presenteado com uma bela visão. A mulher que Deus havia
feito estava diante dele. Conforme ele a olhou encantado, algo se agitou nos mais
profundos recantos de seu coração. Algo dentro de seu peito respondeu a esta nova
criatura. Então este sentimento poderoso, que ele nunca sentira antes, foi expresso por estas
palavras: “Esta sim é osso dos meus ossos e carne de minha carne.” (Gen 2:23). Ela era
como Ele mesmo. Ela era tudo o que as outras criaturas não poderiam ser para ele. Agora
ele havia encontrado uma semelhante com a qual ele iria se unir em uma união íntima.
Tudo isso tem uma importante aplicação em nossa discussão sobre Deus e suas
intenções. Veja você, embora Ele seja circundado por miríades de anjos, embora a Sua
criação completa permaneça diante Dele, nenhuma destas outras criaturas é adequada para
proporcionar a intimidade e o companheirismo que Ele deseja. Nenhuma delas poderia
ocupar esta posição porque elas não eram semelhantes a Ele mesmo. Assim como Adão não
pôde encontrar uma companheira entre os animais, mas teve que esperar até que Deus
preparasse uma esposa para ele, assim também Nosso Senhor está procurando por
“alguém”– sua futura noiva – de quem Ele possa dizer: “Ela é como eu, osso dos meus
ossos e carne de minha carne”.
Queridos amigos, isto é muito mais do que apenas uma aula sobre história antiga.
Aqui mesmo encontramos uma ilustração eloqüente, profética, de um importante princípio
espiritual. O desígnio de Deus para o Universo é que apenas criaturas similares podem ser
companheiras ou se casar. Somente seres que são semelhantes têm permissão para ter este
tipo de união íntima. Pássaros se acasalam com pássaros, gado com gado, peixe com peixe e
assim por diante– cada um segundo a sua própria espécie (Gen 1:21,24). Esta verdade é
claramente vista na ilustração que acabamos de rever, assim como ordenada pelas
Escrituras (Lev 20:15,16). Portanto, de acordo com Sua própria lei, Deus só pode ter uma
união íntima com um ser como Ele mesmo. Para que Ele possa se casar, precisa encontrar
um ser que seja seu semelhante.
Muitos dos detalhes contidos nas primeiras páginas do Gênesis confirmam esta suposição
de que Deus tem, e, na verdade tem tido desde o princípio, um desejo ardente por uma
companheira íntima. O leitor casual pode facilmente olhar para estes itens como sendoinsignificantes. Entretanto, aqui nos primeiros capítulos do Gênesis, são reveladas algumas
indicações claras e substanciais de todas as intenções futuras de Deus no que diz respeito
ao homem.
DOIS CASAMENTOS “PARALELOS”.
No início da Bíblia encontramos o casamento original. O primeiro homem, Adão,
encontra e se casa com uma linda mulher edificada por Deus para ele. E, se nós lermos a
estória até o final, descobriremos que a Bíblia também acaba com um casamento. Jesus
Cristo, “o último Adão”, recebe uma noiva que foi especialmente preparada para Ele.
Agora, nos registros bíblicos há muitos paralelos entre estes dois casamentos. De fato, estes
dois paralelos são tão impressionantes que sou forçada a concluir que os relatos de Gênesis
devem ser considerados fortemente proféticos. Deus, na introdução de Seu livro, colocou
nas primeiras páginas uma profecia completa que ainda hoje está sendo cumprida pelo Seu
povo.
Parte desta profecia concernente a Adão e á criação de Eva, nós já examinamos. Mas,
conforme olhamos mais adiante, descobrimos ainda mais indicações maravilhosas dos
desígnios de Deus. Devemos notar que Deus provocou um “profundo sono” em Adão – um
estado semelhante á morte – no qual Deus trabalhou nele (Gen 2:21). Enquanto ele estava
nesta condição, uma incisão foi feita em seu lado e Deus removeu algo (nossas traduções
dizem que foi uma costela). Então, desta parte de Adão, Deus “construiu” (Heb) uma
mulher para ele. De maneira semelhante, Nosso Senhor Jesus entrou na morte por nós, na
cruz. Lá, seu lado também foi trespassado e algo veio para fora daquele lado – “sangue e
água” (João 19:34). É com esta substância eterna que fluiu do lado de nosso Salvador, que
Deus está “construindo” (Mateus 16:18) a noiva de Cristo, a mulher eterna que irá morar
com Ele para sempre.
Conforme começamos a ler as primeiras páginas do Livro, encontramos um jardim
magnífico. Este jardim foi o cenário do primeiro casamento. Saindo deste jardim flui um rio
e, no meio do jardim, cresce uma árvore chamada “a árvore da vida” (Gen 2:9). Somando a
isto, o texto menciona que nesta Terra há um abundante suprimento de ouro, de algo
chamado “bdélio” e de ônix (Gen 2:11,12).
No final do livro, nos relatos do Apocalipse, algo de grande esplendor e glória é
descrito. É a cidade que é o cenário do último e mais glorioso casamento do Universo. Mas
nós observamos que aquela cidade contém muitos dos mesmos elementos contidos no
jardim. Onde uma vez nós lemos sobre ouro enterrado no chão no paraíso, agora vemos
uma cidade inteira irradiando o esplendor dourado e tendo sua rua pavimentada com a
mesma substância. As pedras de ônix descritas no jardim podem agora ser vistas com
muitas outras pedras preciosas, polidas, perfeitas e incrustadas num muro glorioso
circundando a estrutura inteira. Este muro, adornado com “toda espécie de pedras
preciosas” (Apocalipse 21:19,20) é o símbolo de todos os verdadeiros crentes em seu estado
transformado, glorificado.
Em Nova Jerusalém, também há um rio. Este é um rio de uma cristalina “água da
vida” que jorra de debaixo do trono de Deus e do Cordeiro. Este rio, talvez espiritualmenterelacionado àquele que vimos no princípio, é agora disponível para todo aquele que quiser
“vir e beber”. É aqui uma representação da vida do próprio Deus para o qual nós podemos
vir e nos satisfazer. Não apenas isto, mas a árvore da vida que aparece no princípio, agora
está crescendo abundantemente em ambos os lados do rio com seus doze frutos (um fruto
para cada mês) livremente disponíveis para todos. Mesmo as folhas desta árvore são
importantes: elas providenciam cura para as nações.
Agora, não vamos esquecer o “bdélio”. Esta palavra é encontrada no capítulo 2
versículo 12. Frequentemente lemos sobre ela neste verso, mas o que é isto? Se você não
sabe, então está em boa companhia. Mesmo os eruditos conhecedores da Bíblia e os
tradutores realmente não sabem. De fato, o significado é tão obscuro que eles emprestaram
do latim a palavra “bdélio” em vez de usar uma palavra de língua portuguesa. Um dos
melhores jeitos para determinar o significado de uma palavra é descobrir como ela é usada
em qualquer outro lugar na Bíblia. Então podemos usar este método para a nossa pesquisa
averiguação. O outro único lugar em que aparece esta palavra é em conexão com o “pão
celestial”, o maná que é descrito como sendo pequeno, branco e redondo (Ex 16:14,31) e da
cor do “bdélio” (Num 11:7).
Portanto, eu gostaria de sugerir que esta palavra “bdélio” poderia se referir ao que
hoje nós conhecemos como “pérola”–algo pequeno, branco e redondo. De fato, dois antigos
documentos traduzem esta palavra “pérola.” Então, já que os eruditos bíblicos realmente
não sabem o que esta substância é e já que, como você vai ver logo, esta tradução se
harmoniza tão bem com outras partes da palavra de Deus, eu creio que pode ser aceitável
adotar este significado.
AS PORTAS DE PÉROLA.
Olhando novamente para Nova Jerusalém, vemos que cada uma de suas portas é
formada por uma única pérola grande. Você sabe de que maneira uma pérola é formada?
Ela começa quando um grão de areia ou algum outro pequeno objeto irritante entra na
concha de uma ostra. Conforme aumenta a irritação, a ostra começa a produzir uma
secreção que envolve o objeto ofensor com uma camada de uma substância suave, preciosa
e perolada. De um ferimento surge algo de grande valor. Certamente tal ilustração aponta
para o Salvador. Quando seu lado foi perfurado, a substância que saiu providenciou uma
“porta” para nós – nossa entrada naquela cidade eterna. Ele é a pérola de grande valor (Mat
13:46).
Então você vê que toda matéria prima sobre a qual lemos no cenário do primeiro
casamento tem, no final do livro, sido preparada e transformada em um cenário glorioso
para um casamento eterno – o casamento do próprio Filho de Deus. Enquanto o princípio
nos mostra um homem recebendo uma mulher no meio do jardim, no final é o povo de
Deus que é participante daquele indescritível evento: o casamento do Cordeiro. Realmente,
a própria cidade é descrita como uma noiva adornada para seu marido (Ap 21:2).
O princípio e o fim deste livro, apesar de terem sido escritos com intervalos de
milhares de anos, são assim vistos em uma insuperável harmonia que só poderia vir do
próprio Deus. Agora, considerando tudo isso, você também não crê que Deus desejou istodesde o princípio? Você não vê lindamente retratada aqui uma ilustração do desejo do
coração de Deus? Todo este paralelismo do princípio e do final das Escrituras não pode ser
um acidente. Certamente ele deve estar nos falando de algo de eterna importância e
conseqüência. Deus está revelando a nós o desejo de seu coração.
Na criação do homem podemos encontrar também apoio adicional para este
compreensão. Já que o homem foi feito á imagem e semelhança de Deus (Gen 1:26), não é
irracional supor que nossos sentimentos interiores refletem, até certo ponto, aqueles do
nosso construtor? E um dos mais poderosos desejos íntimos de um homem ou de uma
mulher é casar-se com alguém que eles amem profundamente. Portanto, amor e desejo de
um íntimo companheirismo não podem estar muito longe do coração de Deus. Quando
lemos, em João 3:15 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que...,” como é que você
acha que é este amor? É apenas algum tipo de compaixão paternal? Será simplesmente
devido ao fato de que Deus sente pena de nós, pobres pecadores, pequenos seres humanos
que Ele fez e então decidiu nos resgatar? Talvez o amor de Deus inclua elementos como
esse, mas eu creio que o amor de Deus envolve algo muito mais profundo. Porque Deus
assim amou o mundo! A intensidade de seu amor é além da descrição. É tão fortemente
uma parte de sua natureza que está na passagem da Escritura onde lemos “Deus é amor”
(lª. João 4:16).
Eu creio que nós veremos, conforme prosseguimos pelo livro, que isso fala do amor
que Ele tem por Sua noiva. Não é nada menos que o desejo do Pai Celestial por eterno
companheirismo com alguém como Ele mesmo.
Quando Jesus estava comendo com seus discípulos o que chamamos “a última ceia,”
Ele disse: “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa” (Lucas 22:15).
Porque havia em Seu peito um desejo tão intenso de comer este simples alimento com os
seus amigos? A resposta, sem dúvida, está no pensamento que o estava recordando de uma
festa futura – uma festa de casamento que estava se aproximando. Jesus estava
antecipadamente olhando para este dia de casamento e haver um desejo ardente, um anseio
dentro Dele por Sua noiva. Este é o porquê Ele tinha um desejo tão intenso de cear com
Seus doze discípulos em preparação para tudo o que estava por vir.
A ALEGRIA COLOCADA DIANTE DELE.
Lemos em outro lugar que foi “pela alegria que lhe estava proposta” que Ele suportou
a cruz (Heb 12:2). O que era esta alegria proposta a Ele? Era simplesmente a alegria de
entrar na glória de Seu Pai? Esta não parece ser uma explicação adequada, já que Ele havia
compartilhado a glória do Pai antes que o mundo fosse criado (João 17:5). Não, era algo
muito maior, algo muito mais próximo de Seu coração. A alegria proposta a Ele era a
alegria de um homem que está esperando receber Sua noiva. É a alegria de um homem no
dia de seu casamento, quando está desposando a mulher que ama. Jesus estava olhando
para o futuro e observando aquela com a qual Ele se ligaria em união íntima. Era esta visão,
este pensamento tão cheio de alegria que O estimulou a sacrificar-se por nós. Em Isaías 62:5
nós lemos: “Assim como o noivo se regozija com a noiva, assim o seu Deus se regozijará.
Que dia maravilhoso será aquele quando o povo escolhido de Deus for transformado
uma santa “mulher” e preparado para o glorioso dia das bodas. Esta é a alegria que foi
colocada diante Dele e, queridos irmãos e irmãs, é também a alegria que é colocada diante
nós. Ó, este Deus nos dá uma visão e a revelação daquele maravilhoso dia de casamento e
de tudo o que ele requer – Deus e o homem unindo-se na mais santa união – para que
possamos correr a corrida com alegria. Aleluia! Tal visão certamente nos faz permanecer á
distância de tudo – todo o peso e o pecado que tão facilmente nos envolve (Heb 12:1)–e
persegui-Lo e a Seus propósitos de todo o nosso coração. Ó, este Deus no ilumina para
vermos Sua vontade através de Sua perspectiva! Então somos impelidos em direção á Sua
meta que é também a nossa plena satisfação.
O Apóstolo Paulo refere-se a esta futura intimidade com o nosso Criador quando ele
diz: “As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do
homem, são as que Deus preparou para os que o amam.” (lª. Cor 2:9). Então ele continua a
qualificar isto afirmando que Deus, na verdade, revela “estas coisas profundas” (vs 10) para
aqueles que são íntimos Dele. Nosso Senhor está nos chamando para um relacionamento de
amor com Ele. Este é um relacionamento que irá culminar em uma união com o Altíssimo
que só pode ser descrita em termos de casamento. Estes termos não são meus, mas são a
linguagem da Bíblia– palavras que o próprio Deus escolheu para descrever-nos estas coisas
de uma maneira que possamos compreender.
O casamento humano, com toda a intimidade a ele vinculada, é algo que foi criado e
santificado por Deus. Dentro dos laços contratuais do matrimônio, quase nada é vetado
pelo nosso Criador. Temos apenas que ler Cantares de Salomão para imaginar como Deus
vê este tipo de relacionamento. Este livro é tão pessoal e contém tantas vívidas alusões á
intimidade conjugal que muitas pessoas – mesmo crentes – não podem lê-lo sem sentir-se
desconfortáveis. Evidentemente a carne deles é forte demais e, portanto, são estimulados
erradamente. Entretanto, aqui na Bíblia, Deus ilustra para nós as futuras alegrias
espirituais. Ele está usando termos humanos e descrevendo a intensa alegria de duas
pessoas casada. Mas não há dúvida em minha mente de que Ele está falando realmente
sobre Si mesmo e a Sua noiva. Claro que este livro tem suas aplicações aos casamentos
terrestres desta época, mas muitos santos de Deus que passaram por nós, incluindo
Hudson Taylor e Watchmann Nee viram aqui uma palavra profética. O Salmo 16:11 diz
“Em Tua presença há plenitude de alegria: em Tua mão direita há delícias perpetuamente.”
Uma outra passagem diz: “Amados, agora somos filhos de Deus e ainda não foi
revelado o que haveremos de ser” (la João 3:2). Este versículo me perturbava porque eu não
podia pressentir um relacionamento maior com Deus do que o de ser um de seus filhos.
Mas as Escrituras falam de tal posição. Hoje nós somos filhos de Deus e nos relacionamos
com Ele desta forma, mas algum dia, ó que dia glorioso!, entraremos em um outro tipo de
relacionamento com Ele. Algum dia nós seremos Sua esposa. Embora uma criança possa ter
uma grande porção de intimidade com seu pai, a esposa desfruta de um relacionamento
muito mais profundo.
UMA UNIÃO SANTA COM DEUS.
Estas palavras, “noiva” e “esposa,” transmitem pensamentos de gozo e de intimidade
que podem ser mal compreendidos pela mente carnal. Mas eu oro para que, enquanto você
lê estas palavras e medita nas Escrituras que se referem a estas coisas, Deus revele aos seus
olhos esta verdade glorioso. De acordo com a inconfundível clareza das palavras da Bíblia,
Deus está chamando Seu povo para uma união santa com ele que só pode ser descrita como
um casamento. Certamente que este não será um relacionamento físico como o que temos
aqui na Terra, mas até mesmo a intimidade física que temos aqui é simplesmente uma
mostra das futuras delícias espirituais.
Talvez alguns leitores tenham dificuldade em pensar em Deus como um futuro
parceiro conjugal. Em vez disso, é muito mais fácil conhecê-Lo como Nosso Salvador ou
Pai. Embora estes sejam verdadeiramente papéis que Deus desempenha em nossas vidas, a
posição de ser nosso futuro marido é certamente a mais íntima. Nosso Deus é um Deus de
amor apaixonado e este amor está focalizado em nós, simples seres humanos. As Escrituras
nos revelam o coração de Deus e o Seu coração é um tipo de romance divino, um amor
ardente por sua futura noiva. Não se limite á maneira pela qual você O conheceu no
passado. Não tenha medo de se abrir para uma revelação maior da Sua pessoa e do Seu
caráter. O Deus que a Bíblia revela é o nosso próprio Senhor e Rei. Você pode
confiantemente acreditar que o que Sua palavra revela sobre Ele mesmo é verdade.
Deus não apenas nos ama com um amor apaixonado, como também está procurando
por aqueles que o amarão da mesma maneira. Você se lembra do primeiro mandamento?
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e com todo o teu
entendimento” (Mat 22:37). Isto soa distante e impessoal? Certamente que não!
Usualmente, quando alguém ama um outro alguém com tal fervor, dizemos que eles estão
“apaixonados.” Você tem este tipo de relacionamento com Deus? É Ele o seu primeiro
amor? Ou você O está mantendo á distância, tentando se satisfazer com um tipo seguro de
Deus impessoal, que tem muito pouco a ver com sua vida íntima e secreta?
Vamos ler juntos no livro de Efésios, capitulo 3 vs 16-19. Aqui Paulo está orando pelos
irmãos para que eles fossem “arraigados e alicerçados em amor.” E desta posição pudessem
ser capazes de compreender, com todos os santos, qual é a largura e o comprimento e a
altura e a profundidade - para conhecer o amor de Cristo que excede todo entendimento,
para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. Você vê, conhecer o amor de Deus é
importante. Na realidade, é essencial para nós, se vamos entrar em um relacionamento
profundo, completo e satisfatório com Ele. Quando você sabe que alguém ama você
completa e integralmente, então é fácil abrir seu coração para ele, acreditando que ele vai
lidar com aquilo que encontrar lá dentro, com amor. Assim é com o nosso relacionamento
com Deus. Todos os crentes precisam de um relacionamento íntimo com Jesus, de coração
aberto e sem segredos. Precisamos permitir a Ele o acesso aos esconderijos mais íntimos de
nosso ser. Não pode haver nada escondido. Nada do passado, nada que tenha acontecido a
nós, nada pode ser mantido fora de Sua inspeção e toque amorosos.
CONFIANÇA TOTAL
Este tipo de relacionamento somente é possível quando nós temos absoluta confiança
no amor da pessoa para a qual nós estamos nos entregando. É essencial que venhamos a
conhecer a profundidade do amor de Deus. Se não a conhecemos, só teremos com Ele um
relacionamento superficial e insatisfatório. Ele nunca será capaz de penetrar no âmago de
nosso ser e transformar esta parte de nosso interior. Quando nós temos medos, muralhas
interiores e fortalezas, isto nos mostra que ainda não conhecemos verdadeiramente o amor
de Deus. “Quem tem medo não está aperfeiçoado no amor” (lª. João 4:18).
Você pode perceber quando lê o livro de Apocalipse que a noiva de Cristo é “clara
como cristal” (Apoc 21:11). Esta noiva não tem nada escondido, escuro ou reservado. Não
há segredos para o seu bem-amado. Sua confiança nele a capacita a ser completamente
transparente, permitindo a ele ter acesso a qualquer parte dela. Este é o relacionamento
com o Nosso Senhor que precisamos encontrar. É um relacionamento do amor mais
profundo. É uma intimidade do tipo maior, mais puro, que nos leva á plenitude de Deus. A
maior necessidade de nossas vidas cristãs é esta: uma apaixonada relação de amor com
Deus, que leve a uma intimidade com Ele e resulte em uma transformação segundo a
imagem de Deus.
Eu gostaria de repetir que a inter-relação entre a primeira e a última parte da Bíblia
não é uma coincidência. Não é apenas uma estória bonita. Ao contrário, nestas páginas
Deus revela coisas tremendas sobre Si e sobre os Seus desejos, que Ele quer que
compreendamos. Que retrato maravilhoso nos dá o livro do Apocalipse. Todas as sementes,
todas a sugestões que nos são descritas no livro de Gênesis agora atingem a realização e a
plenitude. As matérias primas foram transformadas. Tudo o que o Deus Pai decidiu fazer
no princípio se cumpriu. Então o homem Cristo Jesus é visto recebendo Sua noiva, a cidade
santa de Nova Jerusalém. Ela está descendo do céu preparada como uma noiva adornada
para seu marido.
O livro santo de Deus se inicia e finaliza com um casamento. Que inacreditável
história de amor é esta! Você alguma vez ouviu alguma igual? Que tremendo amor de Deus
pela humanidade deve ser para motivá-Lo a fazer todas estas coisas e a vencer tão
tremendos obstáculos para que elas se cumpram. Como nós precisamos ver e sentir dentro
de nós o anseio do coração de Deus pela humanidade –O desejo que Ele expressa tão
claramente em Jeremias, onde diz ao Seu povo: “Eu amei vocês com amor eterno” (Jer 31:3).
Eu acredito que este tipo de revelação implantará em nosso peito um anseio similar pelo
nosso futuro marido que nos faça estar prontos (Isaías 54:5). Que pela Sua misericórdia nós
estejamos nos preparado até que Ele venha.
A OFERTA DA VIDA
Ao surgir deste presente mundo, nosso Deus moldou um ser semelhante a Ele mesmo
para Seus próprios santos propósitos. Entre os principais destes propósitos, conforme
discutimos no capítulo 1, é que ele está procurando uma noiva. Deus está no processo de
criar para Si mesmo uma eterna companheira íntima. O homem, o objeto da atenção e
afeição de Deus, é aquele que foi moldado para cumprir este maravilhoso desígnio. Vamos
lembrar aqui, entretanto, que no universo de Deus, somente criaturas semelhantes podem
se casar. Tal intimidade só é permitida entre seres da mesma espécie. Portanto, para que os
desejos de Deus sejam realizados, o homem deve estar qualificado para participar desta
união.
Conforme olhamos firmemente para nosso primeiro ancestral com estes pensamentos
em mente, algumas sérias deficiências se tornam aparentes. Adão, mesmo antes da queda,
não estava qualificado para preencher as intenções de Deus. Embora Ele se assemelhasse a
Deus em muitas coisas, está claro que ele não era exatamente o mesmo tipo de ser que
Deus. Conforme meditamos nisso, um problema que surge é que Deus e o homem não têm
o mesmo tipo de vida. Portanto, eles não podem ser considerados o mesmo tipo de ser.
Embora a vida que Adão e Eva possuíssem fosse inicialmente boa e nunca terminasse,
ela era uma variedade humana, criada. Em contraste com ela, a vida do Seu Criador era a
do tipo sobrenatural, sem princípio. Deus e o homem eram, obviamente, espécies
diferentes. Suas vidas estavam em um plano completamente diferente. Uma era meramente
humana e a outra era Divina. Uma era uma forma da vida inferior, ligada á Terra por um
corpo físico, enquanto a outra é Espírito e enche o Universo. Não apenas a vida do homem
não é igual á de Deus, mas ele nem mesmo era os segundo na fila. As Escrituras nos
ensinam que o homem foi feito um pouco menor do que os anjos (Heb 2:9). Estas
considerações nos apresentam evidência suficiente para imaginar que o casamento entre
eles não seria possível.
Por esta análise, chegamos á conclusão que o homem, da maneira como foi criado, não
era adequado para ocupar a posição programada para ele. Portanto, é lógico supor que, já
que nosso Criador tinha em mente este plano glorioso, Ele também tinha algum modo de
cumpri-lo. Ele deve ter feito alguma provisão para homem mudar. Em algum lugar nos
desígnios de Deus, deve ter havido um jeito preparado para o homem tornar-se algo
diferente do que ele era, para preencher estas santas intenções. E certamente havia. Deus,
em Sua infinita sabedoria, tinha providenciado tudo o que era necessário. Não é
surpreendente que a primeira sugestão da existência de tal plano seja também manifesta no
Jardim do Éden.
Quando nós lemos o relato de Gênesis, entre as muitas aparências do jardim, duas
árvores especiais são mencionadas – a “árvore da vida” e a “árvore do conhecimento do
bem e do mal” (Gen 2:9). Não temos que ler muito para descobrir que estas duas são muito
mais do que simples árvores. O efeito devastador que comer da árvore errada teve sobre a
humanidade parece ser evidência mais do que suficiente deste fato. Todas as outras árvores
do jardim tinham sido oferecidas livremente a eles como alimento, mas esta específicaárvore tinha sido proibida. Seu fruto era tão mortal, tão devastador, que uma provada dele
alterou para sempre o curso da história humana. Agora, em vista disto tudo, parece
razoável supor que a outra árvore, a árvore da vida, também continha fruto de grande
conseqüência. Se a “árvore da morte” tinha um efeito tão poderoso, o que teria acontecido
se Adão e Eva tivessem provado da árvore da vida? Será que uma prova deste outro fruto
teria mudado estes dois de maneira igualmente dramática? Eu acredito que, conforme
prosseguimos, você verá que este é o caso. Qual é, então, o significado desta árvore da
vida? O que Adão e Eva perderam pela desobediência ao Seu Criador? Talvez o melhor
meio de descobrir isto seja olhar para o resto do Escritura e ver se podemos encontrar lá
qualquer indício. Conforme lemos em Gênesis capitulo 3 entendemos que esta árvore teria
concedido a eles a variedade de vida que eles ainda não possuíam. Esta verdade é mostrada
claramente pela afirmação que Deus fez quando foram expulsos do jardim. “Assim,” Ele
diz, eles “tomar também da árvore da vida e comer e viver para sempre” (Gen 3:22). Aqui
nós percebemos que Adão e Eva nunca tinham comido desta árvore. Embora ela estivesse
disponível a eles, nunca tinham tido a oportunidade de saboreá-la. Se o tivessem feito, eles
já possuiriam este novo tipo de vida. De fato, é possível que, se eles tivessem primeiro
provado deste fruto eles teriam tido a força e a sabedoria para sempre evitar a outra.
Conforme vimos, a árvore contendo esta vida estava “no meio do jardim” (Gen 2:9).
Observe que não era a selva de Éden, mas um jardim, significando que fôra projetado por
Alguém. E este Projetista colocou a árvore da vida no centro, como a peça central de Seu
projeto. Seguramente isto nos indica que a concessão desta vida que está no centro de todos
as intenções de Deus concernentes ao homem. É, na verdade, o verdadeiro veículo através
do qual Ele pretende transformar o homem, daquilo que ele era quando foi criado, para
aquilo que Deus deseja que ele se torne. Já que esta vida é tão importante para nós e para
Deus, capacitando-nos a preencher Seu plano original, parece crucial que nós aprendamos
o máximo que pudermos sobre isto. Cada cristão deveria entender completamente a ambos,
a meta para a qual Deus está trabalhando e também os meios que Ele está empregando
para chegar lá. Vamos, portanto, gastar um pouco de tempo para investigarmos o que
exatamente esta “vida” significa.
DE ETERNIDADE A ETERNIDADE
A Escritura diz, no Salmo 90 ver. 2, “De eternidade a eternidade, Tu és Deus.” Isto é
um pensamento muito profundo. Então, vamos parar aqui é meditar sobre isso. Se
pudermos voltar no tempo o mais longe que nossa imaginação permitir, antes que tudo
fosse criado–Deus está lá. E, de novo, se projetarmos nossos pensamentos para o futuro, o
mais distante que possamos imaginar – para um tempo em que este mundo já tenha sido
dissolvido e novas coisas tenham sido criadas – Deus ainda está lá também. Nosso Pai
celestial, não fica preso dentro o que chamamos “tempo.” “Tempo” faz parte da criação
dele. Ele existe além e muito acima de tempo.
Deus sempre existe e existe para sempre. Ele é um ser que nunca teve um princípio e
nunca terá fim. O tipo de vida que Deus possui é “vida não criada.” Ela não começa em
algum ponto particular no tempo. Portanto, a vida de Deus é descrita como sendo “eterna”.
É “AIONION” na língua grega original, que significa “ATRAVESSANDO AS ÉPOCAS”.
Sua vida é tão cheia de vitalidade, tão duradoura que, mesmo a passagem do tempo não a
diminui. É uma vida sem origem ou deterioração, sem tempo de nascimento ou hora da
morte, imutável, incorruptível e imortal. Esta pequena meditação nos leva ao verdadeiro
significado da palavra “eterno.” Simplesmente significa sem princípio e sem fim e descreve
a verdadeira vida de Deus.
Nas Escrituras nós lemos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu
único Filho para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”
(AIONION) (João 3:16). Louvado seja o Senhor porque aqueles que crêem em Jesus não
estão mais afastados da vida de Deus (Ef 4:18) mas foram trazidos para um relacionamento
de filho com o pai. Este relacionamento começou através da procriação de Deus. Não somos
simplesmente filhos “adotados” de Deus. Nós, seres humanos, somos realmente nascidos
da própria vida de Deus. Nós fomos gerados em uma esperança viva (1 Pedro 1:3)! Nós
somos “nascidos de novo, não de uma semente corruptível, mas de uma incorruptível” (1
Pedro 1:23). (Veja também João 1:13, 3:3-8, 1 João 2:29, 3:9, 4:7, 5:1, 4 e 18.
Que coisa indescritível Ele fez por nós, pequenos e insignificantes seres humanos!
Como pais e mães nós geramos filhos e filhas transmitindo nossa vida a eles. Quando
concebemos e parimos crianças, nós transmitimos a vida humano que Deus nos deu a elas.
Da mesmo forma, Deus, em Sua gloriosa e imensurável misericórdia e bondade escolheu
dar aos homens mortais Sua própria vida incorruptível, sem princípio e sem fim, eterna.
Este é verdadeiramente um grande amor que Deus tem pelo mundo. Nenhum presente
poderia ser maior. Nada no Universo é mais precioso, mais valioso, mais insondavelmente
maior que a vida de Deus. Nós temos a oportunidade de nos tornarmos participantes de
tudo o que Deus é. Ele concedeu Sua vida nos homens e os está chamando por esta vida a
crescerem em direção a tudo o que Ele é.
Infelizmente esta grande verdade que Deus concede Sua própria vida aos homens,
tem sido um tanto obscurecida para nós pela tradução das palavras gregas á nossa própria
língua. Os gregos eram evidentemente muito expressivos quanto á idéia de “vida” e tinham
diferentes palavras para ela, enquanto que em português nós temos apenas uma palavra.
Isto então confunde o verdadeiro significado das palavras do Novo Testamento. Para
nossos propósitos aqui, estaremos focalizando em três palavras do Novo Testamento que
são traduzidas em português por uma única palavra–“vida”. Muito embora estas três
palavras sejam traduzidas como uma palavra portuguesa, elas têm significados separados e
distintos. Se não distinguirmos entre elas, podemos estar ignorando uma revelação
indescritivelmente essencial.
A primeira palavra que é traduzido por “vida” em nossas versões é “BIOS,” que se
refere á nossa vida neste mundo físico. Esta é a palavra que dá origem ao termo “biologia”
e inclui conceitos como nosso sustento, a duração de nossa vida física e nossa conduta
moral.
A segunda palavra que é traduzida por “vida” em português é “PSUCHE”. Esta
palavra tem sido traduzida como “alma” e como “vida” e talvez devesse aparecer em
alguns lugares traduzida por “VIDA DA ALMA” para dar um significado mais preciso.
Através do Novo Testamento, esta palavra representa o “constituição” psicológico ou a
“vida da alma” que o homem possui. É esta vida que compreende nosso pensamento, nosso
sentimento e nosso processo de tomada de decisões. E é nesta vida que os homens que não
nasceram de novo vivem neste presente mundo.
AIONION ZOE
Entretanto, há uma terceira palavra grega, uma palavra mais importante que quer
dizer “vida.” Esta palavra é “ZOE.” Ela significa, de acordo com o Dicionário Expositório
de palavras do Novo Testamento W.E. VINE, “vida como Deus a tem.” No que se refere á
“vida,” Deus realmente a tem! No Novo Testamento esta palavra “ZOE” é usada
predominantemente para se referir à própria vida de Deus. Esta única e especial palavra foi
usada pelos escritores do Novo Testamento inspirados por Deus, para se referir à Sua
própria vida incorruptível, sem princípio e sem fim. Portanto, quando a Bíblia fala sobre a
nova vida que Deus nos dá através de Jesus, é esta palavra “ZOE” que é usada e não
“BIOS” ou “PSUCHE.” A frase “vida eterna” é expressada em grego como “AIONION
ZOE” e significa uma vida que “ATREVESSE AS ÉPOCAS.” Esta “AIONION ZOE”, a
tempo atravessando, nunca iniciada, nunca interrompida, nunca cessante vida de Deus –
isto é o que Jesus veio trazer para nós.
Irmãos e irmãs, nós recebemos um Dom indescritível. Deus nos deu muito mais do
que poderíamos pedir ou mesmo imaginar. Nós, frágeis seres humanos, existindo em
corpos decadentes, vivendo em um mundo que está sucumbindo e desmoronando em
muitos modos diferentes, chegamos á mais maravilhosa constatação. O Deus do Universo
nos tomou em Seu coração e decidiu nos conceder uma nova vida – uma substância de vida
incorruptível, imutável, que é impossível destruir. Jesus Cristo levantou-se dos mortos
porque não era possível que a vida que Ele possuía pudesse ser retida pela morte (Atos
2:24). Assim nós também, tendo nos tornado filhos de Deus através do novo nascimento,
nos tornamos participantes de uma vida sobre a qual a morte não tem poder. Jesus disse
que “todo aquele que Nele crê não perece,” mas “passou da morte para a vida (ZOE)” (João
5:24).
Esta é uma verdade essencial. A dificuldade que muitos crentes têm em viver uma
vida verdadeiramente espiritual pode ser localizada precisamente neste ponto. Todos nós
sabemos que Jesus Cristo veio para nos trazer vida. Mas que tipo? Se a distinção entre as
três palavras gregas não é feita, é possível para alguns, pensar que a “vida abundante”
(João 10:10) significa ter muito dinheiro, muita luxúria ou preencher sua vida com prazeres
e materiais físicos (BIOS). Outros podem imaginar que a “vida abundante” significa estar
feliz ou satisfeito em nossa existência terrena (PSUCHE). Muitos dos que estão corrompidos
deste modo acabam caindo num sério erro ou pecado. Compreendendo mal os propósitos
de Deus e falhando em discernir o tipo de vida que Jesus veio nos dar, eles têm se desviado
para perseguir uma “outra vida”–uma vida sensual ou uma vida mundana – uma vida que
logo descobriremos que Jesus veio para condenar.
DURANDO PARA SEMPRE OU ETERNA?
Uma outra concepção errada na Igreja hoje é que a vida “eterna” é simplesmente uma
extensão de ou um prolongamento da vida com a qual nós nascemos. Esta compreensãoerrônea tem sido encorajada em parte pelo uso da palavra “perpétua” no texto. Em muitas
traduções para o português, as palavras perpétua e eterna são usadas alternadamente.
Entretanto, “perpétua” é uma tradução incorreta da palavra “AIONION.” Isto tem sido a
causa de alguma confusão, já que existe um significado diferente no seu sentido na língua
portuguesa. Enquanto que “eterno” significa “sem princípio ou fim”, a palavra “perpétua”
poderia ser aplicada a uma criatura que nasceu em um determinado momento no tempo e,
então, durou para sempre. Conseqüentemente, é fácil para alguém que lê sobre a vida
“perpétua” supor que se refere à continuação infinita de sua própria vida. Conforme vimos,
este não é o caso. Para anular este engano, vamos apenas nos lembrar que no texto bíblico,
ambas as palavras “eterna” e “perpétua” se referem à mesma coisa – a vida de Deus. Elas
não se referem a uma extensão de nossa própria vida.
Todo aquele que crê em Jesus recebe a própria vida de Deus. E é esta vida que é o
meio que Deus vai usar para mudar daquilo que somos para aquilo que ele planejou que
fôssemos. É esta vida que tornará a nossa natureza semelhante a Ele. Assim, como no
princípio, quando nosso Pai Celeste colocou diante do homem a oferta de Sua própria vida
na forma de uma árvore, assim também hoje ele a faz disponível a todos através de Seu
próprio Filho. As Escrituras ensinam claramente que “aquele que tem o Filho tem a vida
(ZOE)” (1 João 5:12). Aqueles que são sábios tomarão posse desta vida, se encherão dela e
assim obterão todos os benefícios dela. Aqueles que são tolos a negligenciarão como
fizeram nossos ancestrais, e eventualmente, sofrerão as conseqüências. A vida de Deus que
Ele nos concedeu, é absolutamente crucial para o nosso caminhar espiritual. É esta vida que
é a fonte de tudo o que Deus está operando dentro de nós.
Espero que esteja absolutamente claro que Jesus morreu, para não dar a nos um novo
lugar para viver o resto de nossas vidas, por exemplo ceu. Ele também não nos trouxe uma
extensão da vida com a qual nascemos. Ele veio para nos dar uma vida que é inteiramente
diferente de qualquer outra que tenhamos conhecido previamente. Jesus Cristo veio para
conceder aos homens a vida não criada, eterna, do próprio Deus. Ele veio com a intenção de
nos dar a verdadeira vida, essência e natureza de tudo aquilo que Deus, o Pai, é. O que
Jesus trouxe à Terra para os homens é a mais preciosa substância! Não há mais nada no
Universo semelhante a ela. A Vida que Ele veio para nos dar nunca começou e, por
definição, não pode nunca acabar. Nós nos tornamos participantes da vida de Deus.
Aleluia! Estas são realmente boas novas!
Depois que Adão e Eva pecaram foram expulsos do jardim e o caminho para o Jardim
do Éden – a avenida que ia para a árvore da vida –foi bloqueado por um querubim junto
com uma espada flamejante. O caminho original, o caminho que Deus pretendeu que o
homem seguisse, estava agora impraticável.
Qualquer um que procurasse entrar naquele lugar seria morto. O julgamento de Deus,
simbolizado pelo querubim com a espada flamejante, agora permanecia entre o homem e a
vida sobrenatural. O que anteriormente havia sido oferecido gratuitamente, agora era
cuidadosamente guardado e o homem pecador era por causa disso proibido de participar.
Agora o homem, ao invés de ter o favor de Deus, estava debaixo de Seu julgamento.
O êxtase que este primeiro casal uma vez gozou e a comunhão com Deus que era tão
familiar a eles, repentinamente desapareceram. A escolha que estes dois fizeram tinha
conseqüências. Aparentemente o diabo tinha obtido a vitória e os propósitos eternos de
Deus tinham sido contrariados. O homem, a quem Deus criou à Sua própria imagem e
semelhança, pretendendo que ele se tornasse Sua noiva santa, tinha, ao contrário, setornado contaminado pelo pecado e desqualificado para compartilhar de Sua própria vida.
Mas talvez o diabo não tenha compreendido a profundidade do amor de Deus por
Sua noiva. Talvez ele tenha falhado em sondar a extensão pela qual Ele atingiria os Seus
propósitos. A intenção original de Deus permaneceu imutável. Seu desejo profundo de
compartilhar Sua vida com os seres humanos continuava persistente. Estas criaturas
especiais, as únicas em todo o Universo a possuir a imagem e semelhança do Deus eterno,
tinham caído. Ainda assim, Deus ansiava que eles fossem trazidos de volta à comunhão
consigo mesmo e para que eles estivessem novamente em uma posição de participar de
tudo o que Ele planejava para eles. Seu incompreensível amor pela humanidade não
diminuíra. Seu plano inicial de criar o homem e oferecer-lhe Sua própria vida ainda
queimava em Seu coração. Deus, em Sua infinita sabedoria e, de acordo com Seu propósito
eterno, tinha preparado um outro caminho, um “novo e vivo caminho” de volta para Ele
mesmo (Heb 10:20).
O PLANO DA REDENÇÃO
Porque a rebelião do homem exigia a pena de morte e barrava o caminho para a vida,
Deus, para realizar Seu plano, tinha que encontrar um substituto. Através de seu
imponderável conhecimento, Ele encontrou uma Pessoa que desejava provar a morte em
nosso lugar–Seu próprio Filho. Em Sua carne, Jesus Cristo fez expiação para a rebelião do
homem e o pecado. Em Si mesmo Ele carregou nossos pecados na cruz, tirando-os do
caminho. Jesus nos reconciliou com Deus. Através de Cristo nós fomos trazidos de volta
para um relacionamento com o Pai. Pelo trabalho do Filho, o derramar de Seu sangue,
agora nós tem acesso a Deus. Mais uma vez, o caminho para a Sua Própria Vida foi aberto.
Que coisa infinitamente preciosa Jesus fez por nós, indignos pecadores, trazendo-nos de
volta a Deus e abrindo o caminho para nós compartilharmos de Sua vida não criada, eterna.
Veja, Deus não poderia dar Sua Vida a seres injustos.
Ele não iria colocar Sua vida santa, sem pecado, em vasos poluídos. O pecado havia
impedido os propósitos de Deus. Era impossível para Ele permitir que Sua vida fosse
misturada com a injustiça do homem. Assim, antes da concessão de tal pura substância, o
receptáculo tinha que ser purificado. O sangue de Cristo, derramado no Calvário
providenciou tal limpeza. A inocência e a pureza da vida que foi tomada ali, tinha às vistas
de Deus, purificou a nossa imundície. Então, em um modo sobrenatural que é difícil para
nós entendermos, Deus apagou o nosso pecado e removeu os obstáculos que estavam no
caminho.
Quando chegou o tempo certo, Deus mandou Seu próprio Filho para nos resgatar. Ele
O sacrificou, permitindo que fosse torturado, ridicularizado e morto. O julgamento que
estava reservado para nós caiu sobre o Cordeiro. Com Sua morte na cruz, a exigência de
justiça de Deus estava satisfeita e o querubim do julgamento, com a espada flamejante, foi
tirado do caminho. Novamente o caminho para a árvore da vida foi aberto e o convite
oferecido.
Jesus não apenas providenciou para nós o caminho para a vida, mas Ele era também a
manifestação desta vida. Quando Jesus veio a esta Terra, veio como um vaso contendo avida de Deus. Nós lemos nas Escrituras “Nele estava a vida (ZOE) e a vida era a luz dos
homens” (João 1:4). E, de novo, nós lemos: “Porque a vida (ZOE) foi manifestada a nós e
nós a temos visto e dela testificamos e vos anunciamos aquela vida eterna que estava com o
Pai e a nós foi manifestada” (1 João 1:2). Parte da missão de Jesus foi contar à humanidade
tudo o que o Pai estava oferecendo. Ele era a completa declaração dos pensamentos e das
intenções de Deus. A vida de Deus, que de uma maneira obscurecida foi manifestada no
Jardim na forma de uma árvore, foi agora completamente demonstrada.
O próprio Jesus proclamou isto. Ele convidou as pessoas a virem até Ele e a comerem
e a vir até Ele e a beberem (João 6:54). Explicou que ele era “o pão da vida (ZOE)” (João
6:48) e “o caminho, a verdade e a vida (ZOE)” (João 14:6). De certa forma, Ele até mesmo
instruiu Seus seguidores a comerem Sua carne para obter vida, causando ofensa a muitos
deles (João 6:53). Mas isto não deveria nos preocupar. Ele estava ali simplesmente
proclamando que tudo aquilo que havia estado à disposição no jardim em forma de árvore,
era agora oferecido através Dele. Através de Seu Filho, Deus estava novamente ofertando a
vida. Hoje, assim como nos dias dos nosso primeiros ancestrais, há uma escolha para cada
ser humano fazer. Como estamos respondendo a ela?
O CRESCIMENTO ESPIRITUAL É ESSENCIAL
Uma vez que somos nascidos do alto, este é apenas o começo de uma vida cristã.
Embora seja maravilhoso receber a vida de Deus, este é apenas o primeiro passo para um
longo e duradouro processo de crescimento no Senhor. É apenas a introdução à
“aperfeiçoando santidade no temor de Deus” (2 Cor 7:1). Não apenas necessitamos receber
esta nova vida, mas também precisamos fazer esta vida crescer em nós até a completa
maturidade. A Bíblia ensina que, depois de ter nascido em uma manjedoura, “Jesus crescia
em sabedoria e estatura” (Lucas 2:52). Da mesma forma, nós também precisamos crescer
espiritualmente até que a expressão de Deus através do nos seja completa.
Nós, como cristãos, precisamos nos livrar da noção que, uma vez que recebemos
Jesus, isto é a consumação da experiência espiritual. Receber a vida de Deus através do
Espírito é apenas o começo. Assim como o nascimento de um bebê é apenas o primeiro
evento de uma vida inteira, assim também, quando somos nascidos do Espírito, este é
apenas o passo inicial de uma vida cheia e crescimento no conhecimento de Deus. A
intenção do Pai é que nós estejamos comendo e bebendo diariamente, e desse modo
crescendo naquilo tudo que Cristo veio trazer – tudo do qual é derramado em nós pelo
Espírito Santo. A vida de Deus, o mais precioso e valioso elemento de todo o Universo, é
abundantemente disponível a cada crente hoje, agora. Através do Seu Espírito, nós
podemos continuamente compartilhar da AIONION ZOE.
Por toda a parte as Escrituras falam de tal crescimento. Efésios 4:14,15 nos estimula
para “crescer Nele em todas as coisas,” recomendando que não sejamos mais bebês que são
facilmente lançados fora. 1 João, Capítulo 2 fala de diferentes estágios de crescimento
espiritual, isto é crianças, jovens e pais. Certamente é fácil ver então que a maturidade não é
instantânea, mas toma tempo e atenção. Isto também é uma parte essencial da nossa
experiência cristã. Permanecer um bebê não é suficientemente bom. O crescimentoespiritual é o único rumo para aqueles quais são sábios. Precisamos continuamente buscar
o Senhor e nutrir esta vida que nos foi concedida para que ela possa crescer até a
maturidade. Em toda a parte, na natureza, notamos que todos os tipos de vida devem
crescer.
Muito embora, por exemplo, um completo carvalho esteja contido em uma semente,
leva tempo e nutrição para que aquela árvore atinja sua própria estatura. Do mesmo modo,
muito embora a vida que recebemos de Deus esteja completa, leva tempo e atenção que ela
chegue à maturidade.
Se é para sermos filhos úteis de Deus, manifestando Sua vida e natureza ao mundo de
uma forma poderosa, nós também precisamos crescer em Sua plenitude (Ef 4:14,15). Bebês
são maravilhosos, mas eles não são muito úteis. Em vez de serem capazes de ajudar e de
contribuir para o bem estar da manutenção da casa, eles próprios requerem nosso tempo e
atenção. Eu creio que Deus ama grandemente todos os seus bebês, mas também estou
firmemente convencido que Ele está procurando filhos que tenham crescido à maturidade
para cumprir Seus propósitos na Terra.
Cristãos demais supõem que nascer de novo é o ponto máximo a ser atingido. Eles
imaginam que, após a regeneração, a única coisa que resta é acumular “recompensas” no
céu. Como isto está longe da verdade! Crescer até uma completa maturidade espiritual é o
único jeito de sermos realmente úteis ao reino de Deus.
É importante perceber que este crescimento não acontece automaticamente. Deus não
está impondo Seu caminho a nós. Ele graciosamente nos permite toda a escolha. Assim
como tivemos que fazer uma escolha para receber Sua vida a fim de sermos nascidos de
novo, assim também precisamos diariamente fazer uma escolha para sermos preenchidos
com Sua vida. Ninguém mais pode fazer você crescer. Quando nós não apliquemos nossos
corações para buscar a presença do Senhor a cada dia e negligenciarmos gastar tempo em
uma comunhão íntima com Ele, cresceremos muito pouco. Se nossa escolha é aplicar nosso
tempo perseguindo nossos próprios interesses, dormência espiritual é uma certeza. O
crescimento na vida de Deus está disponível a todos, mas só é conseguido por aqueles que
fazem uma escolha consciente de persegui-lo. Aqueles que fazem esta escolha serão
beneficiados grandemente, não apenas neste mundo, mas também naquele que está por vir.
Mais uma vez, conforme foi com nosso antepassado, Adão, a escolha é nossa para ser
feita a cada dia. Estaremos escolhendo de acordo com o desejo de Deus e participando
daquilo que Ele está gratuitamente oferecendo? Ou nós, como o primeiro homem,
prestamos pouca atenção àquilo que foi tão generosamente providenciado e seguimos
nosso próprio caminho? Esta não é uma consideração pequena ou insignificante. É fácil
demais ficarmos preocupados com as coisas em volta de nós e as aparentes bênçãos que
Deus nos deu e assim negligenciar a coisa mais importante de todas. Estas escolhas diárias
têm conseqüências eternas. A misericórdia e o favor imerecido de Deus não deveriam ser
levemente desconsiderados. Nossa Deus nos conceder misericórdia para que possamos
participar de Sua vida continuamente.
Nos próximos capítulos deste estudo estaremos meditando sobre muitos diferentes
aspectos do que Deus está fazendo em Seu povo e através Dele. Entretanto, para fazer isto
adequadamente primeiro precisamos estar firmemente enraizados a esta compreensão
básica:
Vida eterna não é a nossa própria vida durando para sempre, nem é simplesmente um
seguro contra incêndio que nos garante que não passaremos a eternidade no lago de fogo.
Receber a vida eterna é nada menos que receber a própria vida de Deus!
É através desta vida que Deus está trazendo muitos filhos para a glória. Sem dúvidas,
Deus tem intenções sérias concernentes à concessão de Sua vida. Ele não fez este trabalho
indiscriminadamente. Então, se queremos preencher Seus requisitos, precisamos guardar
cuidadosamente o bom depósito que Ele nos confiou (1 Tim 1:14).
AS DUAS ÁRVORES
Por razões que estivemos discutindo nos capítulos anteriores deste livro, Deus desejou
compartilhar Sua própria vida com o homem desde o princípio. Isto é evidenciado pela
árvore da vida plantada no meio de jardim do Éden. Mas havia também uma outra árvore
crescendo lá – uma árvore muito sinistro – a “árvore do conhecimento do bem e do mal”
(Gen 2:9). Nós concluímos que a primeira árvore era o símbolo da vida de Deus, mas o que
dizer desta outra? O que ela representa? Porque Deus permitiu que uma árvore com tais
poderes devastadores crescesse lá, livremente disponível à Sua nova raça? Naturalmente
que Ele deu-lhes aviso sobre ela. Sua Palavra solene foi falada claramente, de maneira que
não houvesse chance de um erro. Entretanto, é igualmente óbvio que Deus lhes estava
permitindo tomar suas próprias decisões no que se refere ao seu destino final. Em Sua
infinita sabedoria, Ele permitiu que eles tivessem o livre-arbítrio. Se eles entrassem no
plano maravilhoso que Deus tinha para eles, deveria ser por terem voluntariamente
escolhido fazer isso, não porque tivessem sido forçados a fazê-lo.
Então, desde o começo Adão e Eva foram colocados diante de uma escolha. Eles se
encontraram diante de duas opostas possibilidades. Por um lado, havia a árvore da qual
eles podiam comer livremente e, pelo outro, havia aquela da qual eles foram proibidos de
comer.
Enquanto foi permitido a eles não escolher nem um nem o outro, estas duas árvores,
com tudo que elas representam, estavam sempre diante deles. Sua localização, “no centro
do jardim,” deve ter feito delas o foco da atenção. Consequentemente, a decisão de comer
ou abster-se de comer, nunca estava muito distante do pensamento deles. De uma maneira
interessante, estas mesmas duas alternativas estão à disposição dos homens hoje. Tanto
cristãos como não cristãos estão diariamente expostos a estas duas opções e a tudo o que
elas envolvem. Embora não haja duas árvores físicas em frente a nós, o que elas
representam está abundantemente à disposição.
Já que nós, assim como o primeiro casal, somos realmente confrontados diariamente
com esta escolha, é essencial que compreendamos o que ela significa. Embora Adão e Eva
possam ter sido inocentes e não completamente cientes de tudo o que aquela decisão
envolvia, nós não podemos alegar a mesma desculpa. O seu próprio exemplo, combinado
com toda a revelação de Deus desde aquele tempo, nos fornece ampla evidência de qual é o
caminho de Deus e também o que estas árvores produzem. Infelizmente, muitos dos filhos
de Deus ignoram estas coisas. Demais dos crentes são completamente alheios ao significado
destas realidades espirituais. Desta forma, eles facilmente se tornam vítimas dos enganos
do inimigo, do mesmo modo que Eva foi seduzida (2ª Cor 11:3).
Verdadeiramente, a Escritura diz: “Onde não há revelação, o povo se corrompe” (Prov
29:18). Estou com medo que o caminho para tudo o que Deus tem para nós está espalhado
com os crentes machucados, feridos e “escravos” que estão tropeçando em escuridão. De
algum modo, eles falharam em ver na luz de Deus como permanecer em Seu caminho
estreito e foram pegados cativos pelo inimigo de nossas almas.
Nós já discutimos o que era representado pela árvore da vida mas, para algunsleitores, algumas de suas conseqüências podem não estar perfeitamente esclarecidas. Como
já vimos, é possível receber em nosso ser a vida de um Outro ser, podemos receber a
própria vida de Deus. Já que este Outro é extremamente superior a nós mesmos em tudo, o
que isto implica? Como tal coisa nos afetará? Para começar, parece lógico supor que esta
Outra Vida, sendo tão maior que a nossa própria, tende a predominar. Na verdade, ela vai
querer tomar posse. Isto é, naturalmente, o que Deus deseja fazer. Uma vez que Sua Vida
está dentro de nós, Ele pretende tornar-se o chefe (“Senhor” é o termo das Escrituras). Seu
desejo é que, cada vez mais, submetamos cada aspecto de nosso viver à Sua autoridade.
Lemos nas Escritura que “em tudo Ele tem a primazia” (Col 1:18). Subitamente
descobrimos que independência e “fazer nossa própria vontade” não são mais aceitáveis.
Abrindo nossos corações a Ele, nós somos levados a uma situação em que não somos mais
nossos próprios donos.
Infelizmente muitas pessoas são “trazidas a Cristo” sem esta compreensão mais
fundamental. São informados a respeito de um Salvador, mas não sobre um Senhor que
terá domínio sobre eles. São encorajados a aceitar os benefícios que Deus dá, sem qualquer
aviso sobre o compromisso que isto envolve. Muitos homens e mulheres são impelidos a
“vir para Jesus” sem mesmo um entendimento que isto significa uma mudança radical na
soberania de suas vidas. Entretanto, como estaremos vendo no restante deste livro, esta
mudança não está apenas disponível, mas é essencial. Esta Vida para a qual fomos
chamados não é apenas ua história de escola dominical. Nós nos relacionamos com o Deus
do Universo e as implicações deste fato são realmente grandes.
Então, se a completa submissão a esta nova Vida é a premissa central da árvore da
vida, quais são as conseqüências da outra? Para compreender mais propriamente esta
questão, primeiro precisamos olhar para um outro ser que foi criado antes da queda do
homem. Lúcifer, a princípio talvez o maior e o mais santo dos anjos, é aquele de quem
estamos falando. Tudo o que está simbolizado na árvore que traz a morte, pode ser
delineado neste ser. Consequentemente, para compreender totalmente esta árvore e seus
efeitos desastrosos, devemos também dar uma boa olhada em quem o diabo é e em como
ele chegou ao que é hoje.
No livro de Isaías descobrimos que este anjo agora caído é mencionado como o “filho
da alva” (Is 14:12). Tal título provavelmente indica que ele foi formado durante os
primeiros estágios do trabalho criativo de Deus. Possivelmente ele foi o primeiro ser criado.
Ainda uma outra passagem ensina que ele era “perfeito e maravilhoso quando foi feito”
(Ezequiel 28:12). É provável que este anjo fosse a mais poderosa, extremamente atraente
criatura moldada por Deus e que, sendo assim, ele era o segundo, abaixo de Deus, na
cadeia de comando do Universo. Muitos de nós achamos que esta era uma posição
extremamente boa para se manter, mas para ele havia uma pequena irritação. Este lugar
sublime na presença do Altíssimo, trouxe consigo uma exigência. Ele tinha que ser
completamente submisso a Deus em cada detalhe.
O PECADO DO LÚCIFER
Um dia, Lúcifer começou a notar sua própria beleza. Não há dúvida que os demais
anjos também o admiravam. Ele claramente imaginava que seu poder e inteligência não
tinham paralelo entre eles. Ele não conhecia outro que tivesse tantas habilidades a não ser o
próprio Deus. Seu desejo de realmente engrandecer-se a si mesmo e de exibir totalmente a
sua grandeza, pouco a pouco começou a crescer. Conforme o tempo passava, o
constrangimento de ser completamente obediente ao Pai e de usar toda a sua energia para
servir somente a Ele, começou a lhe dar nos nervos. Aqui não havia lugar para auto-
expressão. Todos os seus muitos talentos e tremenda criatividade estavam sendo
desperdiçados por ser ele apenas um servo. Debaixo desta terrível escravidão, como ele
poderia realmente conseguir a completa apreciação que ele realmente merecia?
Então, como todos nós sabemos, com tais pensamentos fluindo em sua mente, a
criatura a quem hoje nos referimos como Satanás, caiu em pecado. Eu creio que deveria ser
muito esclarecedor para nós compreender como isto ocorreu. Lúcifer não começou
cometendo adultério com a sua secretária. Ele não matou alguém inicialmente, nem roubou
uma velha senhora andando na rua. Não, nenhuma destas coisa que parecem “tão más”
para nós iniciou sua decadência. Pelo contrário, seu primeiro ato pecaminoso foi algo que a
muitas pessoas parece extremamente natural. Ele tomou uma decisão – a decisão de tornar-
se independente, a decisão dirigir sua própria vida. Ele disse: “Eu subirei”. “Eu exaltarei o
meu trono”. “Eu serei semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14:13,14). Aqui ele rejeitou todas as
restrições e começou a afirmar sua própria vontade, rebelando-se contra o Deus Todo-
Poderoso. Este foi seu primeiro pecado. Ele deixou sua primeira posição de total
dependência e submissão a Deus e começou a exercer sua própria vontade em busca de seu
próprio prazer. Claro que o orgulho fazia parte disso. Mentira, adultério espiritual, roubo e
assassinato vieram logo atrás. De fato, tudo o que é contrário à retidão de Deus tornou-se
dele neste simples ato –rebelião – contra a única autoridade verdadeira.
Com tudo isso em mente, agora nós podemos começar a examinar a Segunda árvore –
a árvore do conhecimento do bem e do mal. Evidentemente, quando Adão e Eva foram
criados, existia a falta de alguma coisa. Eles não possuíam a capacidade de discernir entre o
bem e o mal. Isto então os colocou em uma posição onde eles tinham que depender de
Deus. Conforme já discutimos previamente, em muitos aspectos eles foram feitos
semelhantes ao seu Criador, mas nesta área de tomar decisões morais, eles eram forçados a
confiar em Sua liderança e direção. Entretanto, havia uma árvore de compartilhar
conhecimento, não muito distante. Havia uma outra “fonte,” um outro “caminho”
operando no Universo e estava disponível para eles. Embora ele fosse proibido, tinha sua
representação no Jardim do Éden. Provando desta árvore, o primeiro homem poderia
ganhar algo que ele não possuía – independência. Uma mordida deste fruto e eles nunca
mais precisariam estar em uma posição subserviente e dependente. eles poderiam ser como
Deus.
TRÊS ENGANOS SUTIS
Esta foi exatamente a tentação que iludiu Eva e então corrompeu Adão. Quando a
serpente veio para enredá-los em sua trama, ela o fez com grande sutileza. Não há dúvida
de que o diabo compreendeu inteiramente as conseqüências de comer da árvore errada.
Evidentemente ele já havia induzido muitos outros seres a segui-lo em sua rebelião e assim,
já possuía bastante experiência.
Quando falava a Eva, apelou para três elementos de fraqueza que ainda permanecem
na raça humana hoje. De qualquer maneira, ele revelou a ela três coisas:
Número 1 – esta árvore é deliciosa (a cobiça da carne).
Número 2 – é extremamente boa de olhar (a cobiça dos olhos).
Número 3 – apenas uma prova dela fará vocês sábios o bastante para serem
independentes de Deus. (o orgulho da vida) ( 1ª João 2:16). Este foi o argumento decisivo.
Apenas uma pequena mordida poria fim a esta desconfortável submissão a um Outro e a
capacitaria com o que ela necessitava para levar sua própria vida.
Interessante, são estas três mesmas atrações que ele usou para tentar o Senhor no
deserto. Nenhuma tática nova foi usada ali. Primeiro, já que Jesus estava faminto, o diabo
tentou convencê-lo a satisfazer suas necessidades transformando pedras em pão. (Por
favor, lembre-se que foi o Espírito Santo que o levara ali e, portanto, o Pai era responsável
pelo Seu bem-estar.) A seguir, ele trabalha com os seus olhos, mostrando-lhe todos os
reinos do mundo e sua glória por um instante. Riqueza, honra e poder terreno estão
completamente disponíveis para qualquer um que realmente vá atrás deles. Muitas pessoas
hoje no mundo, e mesmo dentro da Igreja, estão descobrindo o poder da auto-afirmação.
Claro que, se esta é a sua tendência, inclinar-se para louvar o inimigo de é também
proveitoso. Entretanto, estou confiante que ele permitirá a alguns cristãos que estão
interessados, passar por cima desta formalidade (pelo menos externamente). Se eles apenas
usarem sua energia para promoverem a si próprios, e desse modo, construírem o reino
escuro e egocêntrico do diabo isto será certamente suficiente.
Finalmente, Satanás apelou para o ego. Ele disse algo como: “Se você é realmente
grande, prove-o provocando uma grande cena que requeira a intervenção angélica. Mostre
a todos quem você realmente é. Exiba-se completamente para que todos nós possamos
admirá-lo. Não se importe com dependência de Deus. Se você é realmente o filho de Deus,
você deve ter sua própria autoridade. Faça algo realmente extraordinário para afirmar sua
independência e estabelecer sua própria personalidade” (Lucas 4:9-12). Como deveríamos
ser gratos a Jesus porque Ele teve força para resistir a esta tentação! Ele era alguém que era
verdadeiramente submisso ao Pai. Cada aspecto de Sua vida foi vivido em sujeição à
vontade do Pai. A vida que Ele viveu, os trabalhos que executou e mesmo as palavras que
Ele falou, estavam todos em perfeita harmonia com as direções do Alto (João 14:10). Ele
veio a esta Terra não para fazer Sua própria vontade, mas a vontade daquele que O enviou
(João 6:38).
Infelizmente, Adão e Eva não possuíam a mesma força de caráter. A inocência deles
não era igual à santidade de Cristo e assim mostrou não ser obstáculo para o inimigo.
Quando confrontados com a possibilidade de ser tornarem seus próprios senhores, eles
agarraram a oportunidade. Aparentemente, a serpente não levou longos anos de tentação
para convencer Eva. Uma pequena sessão de auto-expressão era tudo o que era necessário
para persuadi-la a violar a ordem claramente dada por Deus e voltar-se contra Ele. Ela viudiante dela, facilmente, a possibilidade de tornar-se “completa”, independente e
autoconfiante. Ela pouco imaginava que outros “benefícios” viriam no mesmo pacote.
Deus, com toda a razão, os tinha advertido a não compartilhar.
No momento em que Lúcifer decidiu auto-afirmar-se, a escuridão precipitou-se sobre
ele, colocando-se em oposição a Deus. Sua verdade, justiça, misericórdia, retidão, amor,
humildade, majestade, etc., tinham que ser opostos em um ser que estava em rebelião
contra Ele. Então o caráter de Satanás tornou-se a antítese de todas estas coisas. Crueldade,
ódio, violência, mentira, decepção, vaidade, e muito mais tornou-se a marca registrada
deste reinado. Esta única decisão de desobedecer mudou para sempre sua natureza gloriosa
e formosura com que fora criado para uma natureza tão cheia de escuridão e do pior tipo
de pecado.
Tristemente, nossos primeiros ancestrais entraram em uma experiência semelhante.
Sua única decisão de se rebelar também custou muito a eles. Embora haja no homem caído
aquilo que é chamado “bom,” o mal que o homem é capaz de praticar está além da
descrição. Quando Adão e Eva compartilharam deste fruto, sua verdadeira natureza foi
mudada. Eles não eram mais inocentes e dependentes. Eles não mais precisavam confiar em
Deus para instrução concernente a padrões morais. Eles tinham se tornado independentes –
seus próprios senhores. Consequentemente, eles também se precipitaram na escuridão e
corrupção.
A ÁRVORE DO CONHECIMENTO
Eu creio que é importante para nós tomarmos aqui algum tempo para analisarmos a
árvore da qual veio esta tremenda decepção. Primeiro precisamos notar que é uma árvore
do bem e do mal. A maioria das pessoas provavelmente imagina que é uma árvore apenas
do mal e que a outra árvore, a árvore da vida, deve ser a árvore do bem. Entretanto, este
não é o caso. Aqui nós vemos que o conhecimento do bem está também na árvore da qual
Deus ordenou ao homem que não comesse. Compartilhar dela é pecado. Como podemos
entender tal coisa?
Para começar, precisamos entender que a árvore que causa a morte é principalmente a
árvore do conhecimento. Esta não é simplesmente uma árvore do “bem e do mal”, mas
também uma árvore que concede conhecimento àqueles que provam dela. Seu fruto tem o
efeito de conferir a habilidade de distinguir entre o que é certo e o que é errado. Aqueles
que compartilham dela podem saber por se mesmos a diferença entre o bem e o mal. Este
“conhecimento” capacita os seus possuidores a serem seus próprios senhores. Eles podem
então determinar seu próprio caminho na vida.
É precisamente aqui que Adão e Eva ganharam sua independência. Com esta
sabedoria e conhecimento, eles podiam analisar suas situações e condições, avaliar as
vantagens e desvantagens das opções disponíveis e tomar uma decisão. Bem, você pode
perguntar, o que há de errado com isto? O problema é justamente o que vimos no início
deste capítulo. Tudo isso pode ser efetuado em completa independência de Deus. Tais
decisões podem ser tomadas sem submissão e confiança no Altíssimo.
Quando agimos deste modo estamos sendo nossos próprios deuses. Estamos tomando
o curso de nossas vidas em nossas próprias mãos. Nós estamos agindo de acordo comnossa própria sabedoria e compreensão. Isto, certamente, é apenas natural. Todo mundo
faz. De fato, desde a queda de Adão e Eva este é o modo pelo qual todos os simples
mundanos conduzem suas vidas. Mas Deus está olhando para aqueles que retornarão à sua
intenção original. Ele está procurando por aqueles que “não se estribam em seu próprio
entendimento” (Prov 3:5). Seu desejo é para aqueles que serão guiados, não pela sua
própria inteligência e sabedoria, não pela sua própria habilidade de decidir por eles
mesmos, mas através de sua comunhão com Ele.
Adão e Eva deveriam se tornar, como Jesus foi, uma expressão viva do Pai. Esta meta
se cumpriria através da comunhão com o Pai e da submissão a Ele. Comer da árvore da
vida teria trazido Sua vida para dentro deles. Desta forma, a manifestação de Deus em suas
vidas seria o resultado de seu relacionamento íntimo com Ele. Se eles vivessem em
companheirismo com o Pai, todos os Seus pensamentos, atitudes e caráter poderiam ser
infundidos neles. Este relacionamento de dependência os faria expressar Sua piedade ao
Universo. Seria uma espécie de retidão imposta que seria exibida através deles, mas que
não começou com eles. Em vez desta gloriosa possibilidade, entretanto, eles adquiriram um
tipo de conhecimento que os habilitava a existir sem Deus, simultaneamente recebendo
tudo o que isto envolvia.
Embora o caminho independente esteja ainda aberto para quem o escolher, os crentes
em Jesus são chamados a compartilhar de uma outra árvore. Eles são chamados a entrar
num relacionamento com o seu rei, que os guiará. De fato, Ele entrará neles e os guiará de
seu interior. Ele os proverá de um sabedoria que não tem origem nesta Terra. Ele pode
conduzi-los a fazer coisas que, do ponto de vista humano, são tolices. Ele os fará viver de
um modo que faz um tremendo sentido do ponto de vista da eternidade, mas pode parecer
ridículo àqueles que dirigem seus próprios caminhos de acordo com o ponto de vista do
mundo. Veja, a sabedoria do mundo, fornecida pela árvore da morte, é tolice para Deus (1ª
Cor 3:19). Pode parecer perfeitamente lógico, mas não leva em conta o ponto de vista
divino. Pedro, usando seu próprio intelecto e sabedoria, pressionou Jesus a não ir para
Jerusalém e morrer na cruz (Mat 16:21-23). Como parece natural e correto da perspectiva
humana! Entretanto, de um ponto de vista celestial, era o trabalho e sabedoria de Satanás.
Você pode ver como é perigosa a sabedoria humana?
Você pode avaliar quão rebelde pode ser nosso próprio uso da sabedoria que nós
recebemos? Adão e Eva não puderam. Para eles parecia bom e agradável. Parecia
libertador. Forneceu a eles um meio de serem independentes e auto-suficientes. Como
parece a você hoje? Você está atraído pelo pensamento de ser algo ou alguém? Ou você está
atraído pela idéia de completa dependência de um Outro?
COMO NÓS USAMOS A PALAVRA DE DEUS
Enquanto nós estamos discutindo o conhecimento do bem e do mal, a capacidade de
saber o que é certo e o que é errado, precisamos também mencionar o uso das Escrituras. A
Bíblia nos foi dada por Deus. Toda a Palavra foi soprada de Sua boca (2ª Tim 3:16). É
proveitosa para correção, repreensão e ensino em retidão. Nós não podemos e, de fato,
nunca deveríamos desejar contestar este fato. Entretanto, também é verdadeiro que asEscrituras podem ser usadas erroneamente. Por exemplo, Satanás citou a Palavra de Deus
na tentação de Jesus. Muitas e muitas pessoas, através dos séculos, incluindo algumas
pessoas de Deus, têm usado incorretamente e torcido as Escrituras para sua própria
destruição (Pedro 3:16). Os fariseus são um bom exemplo deste engano. Eles sabiam, pelos
textos de Deus, onde o Messias deveria nascer, entretanto não foram adorá-Lo. Eles
compreenderam que o preço do sangue não poderia ser aceito por uma oferta quando
Judas devolveu o dinheiro (Mat 27:6). Entretanto, eles eram aqueles que o tinham pago!
Eles liam as Escrituras diariamente para saber o que era certo e o que era errado, no entanto
eles não vieram submeter-se a Jesus.
Como é fácil comer da árvore errada! Também é possível usar a própria Bíblia para
descobrir o que está certo e o que está errado, o que é bom e o que é mau e então usar este
conhecimento para guiar nossas próprias vidas. Os hipócritas do tempo de Jesus não eram
os únicos. Hoje também nós encontramos muitos que usam as Escrituras frequentemente,
embora não estejam realmente submissos a Deus. Uma vez que descobrimos por nós
mesmos o modo correto e o incorreto, este conhecimento nos torna poderosos para agir de
uma maneira independente. Nós podemos viver nossas próprias vidas de acordo com os
princípios bíblicos. Nós podemos conhecer o bem e o mal por nós mesmos, e tomar nossas
próprias decisões de acordo. Este tipo de atitude não só é possível, mas é comum. Muitos
cristãos imaginam que eles podem padronizar suas vidas de acordo com as leis bíblicas ou
princípios do Novo Testamento e assim ser agradáveis a Deus. Eles cuidadosamente
estudam as Escrituras, descobrem o que é certo e o que é errado, ou seja, bom ou mau e
tentam viver pelo este conhecimento. Deste modo, eles cumprem as Escrituras “indo
estabelecer sua própria retidão, eles não se submetem à retidão de Deus” (Rom 10:3).
Espero que, por esta presente discussão, você pode começar a ver o erro desta
estratégia. A questão aqui não é “certo ou errado.” Eles estão ambos na mesma árvore – a
que causa a morte. Em vez disso, a questão é rebelião x submissão. Quando aprendemos a
viver em comunhão com Deus e na dependência Dele, Ele é aquele que nos guiará. Ele é
aquele que resolve nossos dilemas morais. Ele é aquele que nos dará compreensão de como
e o quê devemos fazer. Uma caminhada verdadeiramente íntima com Deus engloba um
grande grau de inocência infantil, sem saber muito como tratar com a vida e todos os seus
problemas, mas crendo momento a momento no Pai. Certamente a Bíblia é um dos
principais veículos através dos quais Deus se comunica conosco. Nossa preocupação é que
deveríamos diariamente nos tornar mais dependentes Dele e menos auto-suficientes.
Você sabia que a Bíblia pode causar morte espiritual? Em suas páginas ela diz
exatamente isso. Paulo nos ensina que “a letra” da Bíblia mata (2ª Cor 3:6). Isto significa que
é possível usar as Escrituras de um modo errado, que causa morte espiritual. Se nós
tomarmos conhecimento bíblico em nossas próprias mãos e agirmos independentemente de
Deus, tornamo-nos ministros de morte e escravidão. Como Eva, podemos comer da árvore
da morte e compartilhar seu fruto com os outros. Nós podemos nos tornar pessoas cheias
de conhecimento, conhecimento do que é certo ou errado, conhecimento do que
deveríamos e do que não deveríamos fazer, conhecimento do que é bíblico e do que não é.
Então, armados com este conhecimento, nós podemos passar esta informação a outros, na
expectativa de que eles passem a agir conforme nós o fazemos. Este é o ministério da morte.
CRISTANDADE MORTA
Creio que você pode confirmar isso pela sua própria experiência. Você já encontrou
cristãos que pensam que sabem tudo? Eles são mais corretos que todos em quase todas as
coisas. Das páginas do livro de Deus eles sintetizaram um completo esquema doutrinário
para governar seu comportamento. Embora haja pouco de seus ensinamentos que pareça
estar errado, há um certo tempero na experiência que não parece correto. Está faltando a
doçura de Cristo. As atitudes e o caráter de Cristo não estão dominando. Em vez disso, o
que é demonstrado é um sentido de demanda, conformidade e auto esforço para tentar
alcançar algum padrão. Este também é o ministério da morte. É comer da árvore do certo e
errado, do bem e do mal. É usar a Palavra de Deus embora sem estar verdadeiramente
submisso a Ele. Obediência às exigências da lei, nem seguindo alguns princípios, não é a
mesma coisa que comunhão íntima com Nosso Senhor. Na Nova Aliança falta de
intimidade com Deus é realmente rebelião contra Ele!
Paulo, o apóstolo, explica que é o Espírito que dá vida. As mesmas palavras bíblicas
que poderiam causar morte quando ministradas pelo homem natural, dão vida quando
usadas pela autoridade e controle do Santo Espírito. Paulo disse que ele era um ministro da
Vida (2ª Cor 3:6). Seu uso das santas Escrituras não era algo derivado de sua própria
inteligência. Não era proveniente de estudo e memorização. Embora eu acredite que ele
meditasse diariamente nas Escrituras, ele sabia como se submeter a Deus. Ele compreendia
que não era qualificado para agir independentemente, interpretar e expor as coisas de
Cristo por si próprio. Ele sabia ser um vaso sob o controle de Jesus. Ele sabia como comer
da árvore da vida. Aqueles que compreendem este segredo transmitem uma impressão
diferente. Este fruto também tem um sabor distinto. Emanando da personalidade daqueles
que passam pela vida é o inequívoco sentido do divino. Há algo sobre eles que transmite a
doçura Daquele a quem nós amamos.
O ÚLTIMO MINUTO
Talvez a precedente compreensão da vontade de Deus possa nos ajudar a entender
porque muitas vezes nós temos que esperar até o último minuto pelo livramento
sobrenatural. Quantas vezes nós clamamos a Deus, esperamos e esperamos pela Sua
resposta e acabamos por tomar o assunto em nossas próprias mãos, assim como fez o rei
Saul no Velho Testamento (1ª Sam 13:7-15). Nós precisamos aprender a depender
completamente de Deus. De novo e outra vez Ele nos testará para ajudar-nos a ver quanto
nós ainda confiamos em nossa própria força. Como temos visto, este assunto é muito
íntimo ao Seu coração. Está no centro de Sua vontade no que concerne ao homem. A
verdadeira Cristandade é uma vida vivida em completa dependência do Pai. Isto requer
um relacionamento íntimo e diário com Ele. Sem isto, a única escolha é comer da árvore de
conhecimento e, com o auxílio de seu fruto, tomar nosso próprio rumo.
Como nós precisamos cultivar um relacionamento íntimo com Jesus! Somente deste
modo estaremos compartilhando diariamente de Sua vida. É esta vida que nos preenche e
nos guia durante todo o dia. E é esta vida que se derramará de nós para os outros em umministério verdadeiramente espiritual. Jesus é a fonte desta vida. Ele explica que, se
viermos a Ele, Ele fará de nós uma fonte de Vida (João 7:38-39) borbulhando,
transbordando e transmitindo esta Vida a outros, por toda a parte.
Em relação às coisas espirituais, há dois tipos de “conhecimento.” Um poderia ser
chamado de conhecimento ao respeito de Deus. O outro é o conhecimento de Deus. O
primeiro vem de um estudo mental da informação disponível, o segundo vem da
intimidade com Ele. Estas, queridos amigos, são as duas árvores. Elas estão ambas
disponíveis. Qual delas você escolhe?
AS DUAS NATUREZAS
O que temos visto nos capítulos anteriores deste livro é que Deus, desde o princípio,
tinha um plano maravilhoso para o homem. Seu desejo mais profundo era criar um ser
semelhante a ele mesmo, que pudesse se tornar Sua noiva. Nosso Deus não estava satisfeito
em estar sozinho para sempre e moldou a humanidade com a capacidade de receber Sua
própria vida eterna. Estando preenchido com a Sua vida, o homem poderia estar
qualificado para entrar nesta indescritível união santa com Ele.
Este é, então o trabalho central do Universo hoje. O compartilhar da vida divina e a
transformação do humanidade naquilo que ela necessita ser para preencher os desígnios
sobrenaturais, estão no centro de tudo o que está ocorrendo nos mundos espiritual e físico.
A falha em compreender esta revelação básica irá nos impedir de andar com Jesus e de
trabalhar com Ele para cumprir Sua vontade na Terra.
Muitas pessoas supõem que quando o trabalho de Deus em nós estiver terminado,
vamos acabar “voltando ao Éden”. Em outras palavras, elas crêem que Deus está tentando
nos trazer de volta ao estado original em que Adão e Eva se encontravam no Jardim. Isto,
eles presumem, seria a conclusão da santidade. Entretanto, isto não é verdade. Conforme
examinamos estes primeiros homens que Deus fez, descobrimos sérias deficiências. Em seu
estado original, eles nunca poderiam preencher os desígnios de Deus. Em primeiro lugar,
conforme vimos nos capítulos anteriores, eles não contém a vida de Deus. Isto os
desqualifica para entrarem em uma união matrimonial com Ele. Depois, vimos que eles não
tinham uma natureza santa com a Dele.
Sim, Adão e Eva eram sem pecado. Muitos eruditos da Bíblia os descrevem como
“inocentes”. Mas, como vemos, inocência e falta de pecado não são a mesma coisa que
santidade. Deus é extremamente santo. Esta é a essência de Sua natureza. E, porque Ele é
santo, nós lemos que “Ele não pode ser tentado pelo mal” (Tiago 1:13). O pecado não
interessa a Ele. Não há nada, eu repito, nada em seu santo ser que esteja um pouquinho
interessado no pecado. Na verdade, Ele odeia o pecado! Por outro lado, quando Adão e Eva
foram tentados, o que aconteceu? Eles caíram e caíram rapidamente. Você vê, seu estado
inocente não foi páreo para o diabo. Não era a mesma coisa que santidade de Deus.
Então, se a humanidade deve entrar em uma união matrimonial com o Altíssimo,
algumas mudanças devem ocorrer em seu ser interior. Primeiro, precisamos receber Sua
vida divina e, segundo, precisamos ter uma natureza santa. Nosso Deus diz: “Sereis santos,
porque eu sou santo” (1ª Pedro 1:16). Além disso, lemos sobre “Santificação, sem a qual
ninguém verá o Senhor” (Heb 12:14).
Em alguns grupos cristãos hoje, muitas pessoas gostariam de “passar por cima” da
matéria de santidade. Elas afirmam que ser nascido de novo é suficiente e que a verdadeira
retidão é algo que só iremos conseguir mais tarde, depois que morrermos. Uma pequena
melhora está bem para eles, mas a séria livramento de todos os pecados é muito difícil e
impraticável. “Afinal”, eles dizem, “quem você conhece que é realmente santo?” Outros
tentam considerar santidade como algo que só existe na mente de Deus. Eles afirmam que
nós já somos santos porque Deus nos vê como seres santos. Não precisamos ser retosverdadeiramente porque as ordens de Deus já foram cumpridas por Jesus e, portanto,
santidade não é uma exigência. Estas idéias levantam muitas considerações sobre as quais
não tenho espaço para tratar aqui, mas lidarei com elas em um capítulo subseqüente, “O
sangue da Aliança”.
É suficiente dizer aqui que, conforme nós honestamente lemos o Novo Testamento,
encontramos verdadeira santidade. Os Apóstolos eram pessoas santas. Os crentes do Novo
Testamento eram constantemente obrigados a se purificar, a se abster do pecado, a evitar a
tentação e prazeres sensuais. Aqui na Bíblia nós lemos sobre uma retidão que caiu sobre a
Terra. Foi visível. As pessoas podiam vê-la mostrada nos discípulos. Não era algo irreal,
como uma fabula imaginaria. Não era algo assim, mas um tipo de santidade que emanava
das vidas dos seguidores de Jesus. Não estou dizendo que eles eram todos perfeitos, mas a
maioria deles não estava mergulhada em pecados e vícios carnais, desculpando-se em dizer
que Deus os considerava retos. Estes discípulos eram amorosos, longânimos, dadivosos e
perdoadores, pessoas que odiavam o pecado. E o exemplo deles serve para todos nós. O
modo como eles viviam é o modo como devemos viver neste mundo mau atualmente.
Isto então nos traz o ponto crucial da questão. Como isto é possível? Como podemos
nós, seres humanos pecadores, ser sempre santos? Como podemos nos aproximar dos
padrões de santidade de Deus. Para começar, precisamos compreender um princípio muito
importante. Toda vida tem sua própria natureza. Por exemplo, um cachorro late porque ele
tem dentro dele a vida de um cão. Latir é da natureza da vida de um cão. Na mesma
maneira, uma macieira produz maçãs, pois é da sua natureza produzir este tipo de fruta.
Este é um princípio inalterável no Universo que Deus criou. Você nunca vai ver cachorros
cantando como passarinhos ou macieiras dando bananas, porque não é da natureza de suas
vidas fazer estas coisas.
Do mesmo modo, os seres humanos pecam. É a natureza da vida caída para pecar que
nós herdamos de Adão. Você nunca precisa ensinar crianças a pecar. Vem naturalmente. É
um produto espontâneo da vida que está dentro deles. Eu conheço uma mulher cuja mãe
pensava diferente. Ela pensava que o pecado era algo que se aprendia com os outros. Então,
quando sua filha era pequena, ela a abrigou contra todas as más influências externas. Ela
protegeu esta criança e a alimentou como uma plantinha tenra, livre de todo estímulo que a
pudesse corromper. Então, finalmente, chegou o dia em que esta criança “perfeita” devia
ser introduzida no mundo. A mãe levou sua preciosa filha para visitar uma outra garota na
vizinhança. Bem, não demorou muito para que um desentendimento se levantasse entre as
duas garotas e, em breve, a “criança perfeita” estava batendo na cabeça da outro garota
com uma boneca. O pecado é um produto da vida caída que herdamos de nosso pai Adão.
Deixe-me esclarecer isto: as pessoas não estão sempre pecando, a cada minuto de cada
dia. As macieiras nem sempre estão cheias de maçãs. Os cães não latem todo o tempo. Mas,
eventualmente sim. É inevitável. Em um determinado tempo, a vida pecadora dentro da
raça humana sempre produzirá frutos. É impossível que não demonstre sua natureza
fazendo isso.
Exatamente da mesma maneira, santidade é um produto espontâneo da vida de Deus.
Deus exibe retidão porque a vida dentro Dele é completamente “reta”. Ele é perfeita e
puramente santo. Não há pecado escondido nas profundezas de Seu ser. Ele não tem trevas
dentro Dele. Deus não está “tentando” ser santo. Ele apenas é. Além disso, nosso Deus é o
único Ser do Universo que é assim. Portanto, há apenas único jeito de exibir esta mesma
santidade. Precisamos ser enchidos com Sua vida santa, sem pecado. Isto é certo. O únicomodo de ser verdadeiramente justo é ter a vida justa dentro de você. Conforme você vive
com esta vida, você expressa a natureza dela. Como esta vida perfeita se manifesta através
do nosso ser, você exibirá uma maravilhosa santidade. Esta retidão não é “de nós mesmos”
(Fil 3:9). Embora seja vista em você, é, na realidade, a retidão de “um Outro”. Eu creio que
este fato importante merece se repetindo. O único modo de ser santo é viver pela vida de
Deus. Quando recebemos Jesus, recebemos uma vida santa, não criada. E, quando vivemos
por esta outra vida que recebemos, manifestamos a natureza desta vida.
VIVENDO PELO PAI
Jesus é um exemplo disto. Sem dúvida Ele recebeu uma vida humana de sua mãe,
Maria. Mas, Ele também recebeu vida divina de Deus. Nosso maravilhoso Salvador,
consequentemente, escolheu viver sua vida pela fonte maior. Ele disse: “como o Pai, que
vive, me enviou e eu vivo pelo Pai” (João 6:57). Jesus tinha o Pai vivo dentro Dele. Além
disso, Ele “vivia pelo Pai”. Isto significa que cada aspecto de Sua vida era dominado pela
vida do Pai. Seus pensamentos, Suas reações, mesmo as expressões em Sua face eram
produtos da vida sobrenatural pela qual Ele estava vivendo. Portanto, Ele era uma
completa expressão do Pai. Em tudo o que ele falou e fez, o Pai foi manifestado. Em outro
lugar Jesus afirmou: “As palavras que vos falo, não falo por mim mesmo, mas o Pai que
vive em mim, Ele fez as obras” (João 14:10). Você vê, Jesus não estava expressando a si
próprio. Ele não estava falando Suas próprias palavras ou mesmo fazendo Suas próprias
obras. Ele era submisso ao Seu Pai em cada detalhe de Seu ser. A vida do Pai estava fluindo
através Dele e a natureza do Pai estava se derramando para fora Dele. Jesus era uma
manifestação perfeita do Todo Poderoso.
Do mesmo modo, nós podemos viver por Jesus. (Por favor, não fracassar em entender
isto. Esta pode ser uma das mais importantes revelações da Bíblia.) Nós podemos ser
motivados em cada aspecto de nosso ser por uma vida sobrenatural. Jesus explica: “Como o
Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, assim também, aquele que se alimenta de mim,
por mim viverá” (João 6:57). Isto é realmente excitante. Nós podemos viver por uma outra
vida. Nós podemos realmente ter uma vida substituta vivificando cada aspecto de nosso
ser. E esta vida é santa. Esta vida é pura! Esta vida não pode ser tentada pelo pecado. É reta
em todos os aspectos. Aleluia! Esta é uma grande e maravilhosa verdade. Nós, sim, meros
seres humanos, nascidos de uma raça pecadora, podemos renascer para uma outra.
Podemos nos tornar um dos filhos de Deus. Podemos receber a verdadeira vida de Deus e,
então, vivendo por aquela vida, expressar Sua santa natureza ao mundo. Isto é verdadeira
santidade. Isto não é algo que só existe na mente de Deus. Não é uma retidão invisível. Este
tipo de retidão é real, prática e terrena. É algo que a Igreja de nossos dias precisa
desesperadamente.
Esta é uma idéia maravilhosa, você pode dizer, mas como ela é possível? Estaremos
explorando nos próximos capítulos deste livro vários aspectos desta questão, mas o mais
importante é este que é revelado aqui no verso supra citado. Jesus nos instrui a comer Dele.
Ele afirma que, se O comermos, seremos capazes de viver por Ele. Em outro lugar, Ele
assegura que “a menos que comamos a carne do Filho do Homem e bebamos Seu sangue,não temos vida em nós mesmos” (João 6:53). Esta palavra “vida” aqui é a palavra grega
ZOÉ, referente à vida de Deus, que já vimos nos capítulos anteriores. Então vemos que
comer e beber Jesus é a chave para viver por Sua vida. Quando nos enchemos com Ele, Ele
se manifesta através de nós.
A IMPORTÂNCIA DA COMUNHÃO
Isto então nos traz a questão da comunhão. Ter “comunhão” com alguém significa Ter
um companheirismo íntimo com ele. Quando comungamos com alguém, ficamos juntos,
abrimos nosso corações e temos uma troca íntima de idéias, palavras e sentimentos. Este
significado da palavra “comunhão” é muito Bíblico. Também na Igreja hoje, nós temos
comunhão. Isto se refere da Ceia do Senhor onde nós participamos juntos, comendo pão e
bebendo vinho. O que podemos compreender disto é que ter camaradagem íntima com
Jesus é o ato de comer e beber Dele. Quando entramos em Sua presença, abrimos nosso
coração a Ele e temos uma intimidade espiritual, estamos compartilhando do corpo e do
sangue de Jesus. Estamos tendo comunhão.
Esta comunhão íntima no espírito é uma parte essencial da vida cristã. Sem ela não
teremos “vida em nós mesmos” (João 6:53). (Se você se considera cristão e não tem idéia do
que significa comunhão com Deus, por favor, procure alguém que ande em intimidade com
Deus para ajudá-lo. Não viva mais um único dia sem intimidade com Deus.)
Companheirismo com Deus está no centro de uma genuína experiência cristã. É a essência
de nossa caminhada cristã. Sem me tornar legalista, devo insistir que esta deve ser sua
experiência diária.
Como podemos entrar em tal comunhão com Deus? Para começar, nós devemos
experimentar um profundo e completo arrependimento. Devemos colocar para fora de
nossas vidas, tudo aquilo que sabemos que desagrada a Deus. É impossível gozar de
camaradagem íntima com Deus enquanto estivermos envolvidos em algo que sabemos que
Ele não gosta. Pense sobre isto. Se você quiser passar um tempo agradável visitando um
parente ou um amigo, mas está fazendo algo que ele desaprova, isto não afeta o tempo em
que estão juntos? Certamente que sim. Do mesmo modo, quando estamos envolvidos em
atividades ou atitudes que afligem o coração do Senhor, isto iria limitar nossa intimidade
com Ele. Você não pode Ter uma doce comunhão com Jesus e ter pecado conhecido em sua
vida. E sem esta comunhão você nunca estará “repleto” de Sua vida e nunca expressará Sua
natureza. A única alternativa, então é esperar que ele pense que você é digno, quando você
sabe que não é. Pessoalmente, eu creio que nós devemos ajustar nossas vidas conforme a
Palavra de Deus, em vez de ficar procurando uma doutrina que nos desculpe por
permanecermos do jeito que somos. Além disso, todos nós precisamos de uma completa e
inteira consagração. Precisamos oferecer nossos corpos como “um sacrifício vivo” a Deus
(Rom 12:1). Nosso corpo, nossa alma e nosso espírito precisam ser de Deus. Nossa mente,
nossas emoções e nossa vontade precisam se render ao Seu controle. Nossos bens, nossas
esperanças no futuro, nossos planos, nossas famílias, nossas finanças: todas estas coisas
devem ser, completamente e sem reservas, oferecidas em Seu altar. Se não estivermos
desejosos de obedecer Jesus em cada aspecto de nossas vidas, isto impedirá nossacomunhão com Ele. Crer em Jesus é uma coisa, segui-Lo para onde quer que Ele vá, é outra.
Para Ter uma doce camaradagem com Deus, precisamos ser obedientes à Sua voz.
Precisamos desejar ir com Ele onde quer que Ele vá. Jesus disse: “onde eu estiver, ali estará
também o meu servo” (João 12:26).
Todos os cristãos precisam estar “cheios” do Espírito Santo. Isto também deve ser
uma experiência nossa e não apenas uma doutrina. Não tenho interesse em debater quando
ou como nós podemos ser cheios com o Espírito Santo de Deus. Eu só sei que isto é
essencial e bíblico. Além disso, não vejo como é possível ser cheio com o Deus do Universo
e não o saber. Para ser cheio como Espírito Santo de Deus, precisamos abrir completamente
a Ele. Nossos corações precisam estar prontos e desejosos de receber o que Ele quer nos dar.
Depois de nosso arrependimento e consagração, estamos então na posição de entregar
nossos corações e nos abrir completamente. Ele nos encherá Dele mesmo. A dádiva do
Espírito Santo é uma promessa de Deus. Procure-O e O achará. Se houver qualquer
impedimento, Ele o revelará a você se o seu coração for sincero. Lembre-se que Deus nunca
forçará ninguém. Você deve estar totalmente preparado e desejoso se está para receber tudo
aquilo que Ele tem para lhe dar.
COMENDO A PALAVRA DE DEUS.
Deus é revelado em Sua Palavra. Então é para lá que devemos ir para a experiência de
“comer” Dele. Podemos nos alimentar Dele em Sua Palavra. O profeta diz:
“Suas palavras foram achadas, logo as comi; as suas palavras me foram gozo e alegria para
o meu coração” (Jeremias 15:16). Quando abrimos nossas Bíblias, precisamos ao mesmo
tempo abrir nossos corações para Ele. Precisamos procurá-Lo em Sua Palavra. Quando você
lê a Bíblia, não se inquiete demais em tentar entender tudo. Em vez disso, gostaria de
recomendar que você procure Ter comunhão com Deus em suas páginas. Permita que Ele
fale com você. Ore a respeito do que Ele está revelando. Releia os versículos ou as
passagens que Ele ilumina. Medite sobre o que Deus está revelando a você sobre Ele.
Comungue com ele. Desta forma, você estará se alimentando espiritualmente. Isto fará você
crescer e se encher da vida divina. Quando tal alimentação espiritual se torna um hábito
diário seu, você começará realmente a “viver por Ele” (João 6:57). Então, espontaneamente
começará a expressar a natureza de Deus ao mundo.
Como um cristão novo, eu li a Bíblia integralmente. Era um livro novo e vivo para
mim. Mas, conforme o tempo passava, eu queria entender tudo, especialmente o livro do
Apocalipse. Logo eu estava lendo a Bíblia com o pensamento de tentar entender tudo. Eu
queria compreender as feras, os chifres, os três sapos e todo o resto desta fascinante
revelação. Continuando neste caminho por algum tempo, comecei a notar um problema.
Este livro santo, que anteriormente tinha sido tão vivo e tão renovador, tornou-se seco e o
meu entusiasmo para lê-lo desvaneceu-se. Isto me fez clamar a Deus. Qual era o problema?
Por que o meu tempo com a Sua Palavra era tão insatisfatório? Em resposta à minha oração,
Deus me levou a um versículo. Dizia: “nele havia vida e a vida era luz dos homens” (João
1:4). Daí eu deduzi que é a vida Divina que produz iluminação. Tentar compreender a
Bíblia não produz vida. Mas encher-me com Deus através da comunhão com Ele, não eraapenas satisfatório, mas também, Ele estava revelando coisas de sua Palavra mim.
BEBENDO O ESPÍRITO DE DEUS.
Deus também é derramado sobre nós através do Seu Espírito. Não apenas podemos
comer de Sua Palavra, mas também podemos beber profundamente do Seu Espírito. Tudo
o que temos de fazer é abrir nossos corações e deixá-Lo derramar Dele dentro de nós. Tudo
o que Ele é está disponível abundantemente a nós através do Seu Espírito. Ele não goteja.
Não é dado escassamente. Derramar implica o esvaziar de alguma coisa. Ele não está dando
um pouco por vez. Isto significa que nós podemos ter tudo aquilo que queremos. Se faltar
um pouquinho em nosso gole, não é da parte de Deus. Seu desejo é que nós participemos
tanto e tantas vezes quantas desejarmos.
Podemos beber do Espírito de Deus em oração. Quando entramos em Sua presença
através do companheirismo com Ele, podemos beber de tudo o quanto Ele é. Orar no
Espírito Santo é uma oportunidade maravilhosa de compartilhar da comunhão com Deus.
Nestes momentos, tente permitir ao Espírito Santo guiar suas orações. Não tente orar
somente sobre seus problemas. Você gostaria de ter um amigo que falasse o tempo todo
sobre seus próprios problemas? Permita que o Espírito de Deus encha você e o dirija nestes
momentos de intercessão e companheirismo. Na presença do Senhor é melhor ouvir do que
falar (Ecl 5:1). O Pai Amoroso tem muito a revelar àqueles que têm um coração desejoso e
receptivo.
Também nossos tempos de adoração são uma oportunidade de nos abrir amplamente
e beber. Não apenas publicamente, mas nos nossos momentos a sós com Jesus, podemos
beber do Seu Espírito através do nosso louvor. Quando adoramos, é importante nos
humilharmos diante de Deus. Adoração” e “orgulho” são opostos. No nosso mundo atual,
encontramos muito pouco da atitude de prostrar-se diante de alguém e louvá-lo.
Entretanto, Deus é digno de tal louvor. Quando chegamos diante Dele com o coração
aberto e humilde, a adoração espiritual se torna um tremendo gozo. De fato, não conheço
maior prazer na Terra do que entrar profundamente em uma experiência de adoração
diante do Trono de Deus. Isto também é beber do Espírito do Senhor.
Comer e beber de Jesus no Espírito nos encherá com Sua Vida. E, ser cheio de Sua
Vida, resultará em manifestar Sua natureza. Verdadeira santidade e retidão são produtos
da vida natural de Deus. É realmente uma coisa maravilhosa que nós, seres humanos,
possamos ser animados pela vida de um Outro. Podemos permitir que uma vida Superior
tome controle de nossas mentes, de nossos sentimentos e de nossas decisões. Nós, que
fomos nascidos simples mortais, menores até mesmo do que os anjos, podemos receber
uma vida “não-criada” e realmente ter esta vida animando nosso ser. Jesus pode ser nossa
vida. Podemos nos tornar vasos que contém um grande tesouro. Em vez de expressarmos a
nós mesmos e a nossa natureza caída, podemos permitir que Jesus revele a Si mesmo ao
mundo através de nós. Nós podemos verdadeiramente “viver por Ele” (João 6:57). Nossa
responsabilidade, portanto, é nos enchermos com Sua vida. A verdadeira comunhão é uma
necessidade absoluta na vida cristã.
A vida divina manifesta a natureza divina. Não poderá nunca ocorrer de outramaneira. Somente a vida de Deus manifesta Sua natureza. Guardar a lei do Velho
Testamento e os Dez Mandamentos, nunca poderá chegar a este mesmo alvo. A razão para
isto é que estas ordenanças externas são “fracas” (Rom 8:3) porque elas operam através da
carne. Obedecer a lei requer a operação de sua própria vontade e determinação. Requer
seus próprios esforços. Envolve viver nossa própria vida. Embora uma pessoa muito forte
possa conseguir chegar muito perto de “guardar a lei” e, portanto de uma retidão exterior,
isto não satisfaz a verdadeira ordem de Deus. Nós lemos que “pelas obras da lei nenhuma
carne será justificada à Sua vista” (Rom 3:20). Porquê não? É porque guardar a lei não
penetra no coração do homem. Não pode mudar sua verdadeira natureza. Somente a
substituição de nossa vida pela Vida Dele pode efetuar as mudanças que Ele realmente
deseja.
IMITANDO DEUS?
O melhor que podemos fazer com nossos próprios esforços é chegar a um tipo de
imitação de Deus. Quem deseja uma imitação? Certamente não Deus. Ele diz que a justiça
que podemos conseguir por nossos próprios méritos é “trapos de imundície para Ele”
(Isaías 64:6). Este contexto me faz lembrar de um foto que vi em uma revista: um
chimpanzé vestido como um homem. Ele vestia casaco, gravata e um chapéu. Estava
fumando um grande charuto. Muito embora ele estivesse vestido como um homem, todos
podiam ver que era apenas um chimpanzé. Do mesmo modo, muitos crentes estão se
esforçando muito para agir como Deus. Eles têm um certo código para se vestir, usam o
cabelo de uma certa maneira. Há uma grande variedade de coisas que eles podem ou não
podem fazer para parecer santos, assim como Deus. Mas, quem tem olhos espirituais pode
ver que este é um cristianismo de chimpanzé. É uma imitação da coisa real. É apenas um
ser humano tentando se vestir e agir como Deus. Quão tolo isto é!
Esta verdade não apenas se aplica a guardar a lei, mas também se aplica a viver pelos
princípios do “Novo Testamento”. Embora muitos cristãos compreendam que guardar a lei
nunca poderá satisfazer a Deus, eles estão tentando viver suas vidas segundo um “kit” de
princípios neo-testamentários. Eles estudaram o livro do começo ao fim e também de trás
para diante, e sintetizaram dele um completo “jogo” de faça e não faça, deve fazer e não
deve fazer. Na verdade, há muitos professores bíblicos que cruzando o país, se não o
mundo, propagando exatamente este tipo de cristandade. Eles crêem que não estão
“guardando a lei”, mas que encontraram um novo modo de agradar a Deus, isto é,
seguindo os princípios do Novo Testamento. Infelizmente, este método também não
atingirá o padrão de Deus. Isto também ocorre pelos esforços da carne. Também é
cristianismo de chimpanzé. Nosso Deus só está satisfeito com Seu Filho. Ele é “Aquele em
quem o Pai se compraz” (Mat 17:5). É apenas quando Ele vê Seu filhos se manifestando
através de nós que se contenta com o que vê. Somente a vida de Deus manifesta Sua
natureza!
Nos últimos anos têm havido uma campanha chamada “o que Jesus faria?”. Segundo
este método, somos aconselhados a, em cada situação, antes de falar ou agir, parar e tentar
imaginar o que Jesus faria. Então somos instruídos a agir como Ele o faria. O fato de que as
pessoas queiram expressar a Jesus é louvável. Não quero ser muito negativo. Mas averdade é que este método nunca poderá se aproximar do santo mandamento de Deus. Em
primeiro lugar, como podemos saber o que Jesus diria ou faria em determinada situação? É
verdade que temos o Novo Testamento, onde podemos ler sobre muitas coisas que Jesus
falou e fez. Entretanto, uma coisa que descobrimos lá é que Jesus era imprevisível. O que
Ele fazia ou dizia era inesperado. É impossível para nós antecipar ou imitar suas palavras e
ações.
A Segunda coisa que aprendemos é que Ele disse e fez tudo vivendo pelo Pai. O que
precisamos desesperadamente hoje, não é uma imitação de Deus, mas uma expressão de
Deus. O que o mundo necessita é ver Deus manifesto através de nós. Isto só pode se
cumprir quando nós vivemos por um outra vida. O Santo Espírito que Deus nos deu não é
apenas algum tipo de aditivo. Muitos cristãos parecem crer que, embora os judeus nunca
tivessem cumprido a lei, como é evidenciado pela história judaica, os cristãos podem, pois
eles têm um novo combustível em seu tanque - o Espírito Santo. Com este novo aditivo,
agora eles têm o poder de fazer o que os judeus nunca puderam fazer. Por favor, entenda
isto claramente. O Espírito Santo não foi dado para energizar a carne ou fortalecer a vida
natural para que se possa viver como Deus. Isto está longe da verdade. Em vez disso, o
espírito de vida (ZOÉ) em Cristo Jesus (Rom 8:2), foi enviado como uma substituição. A
velha vida que foi herdada de Adão é defeituosa. Não pode ser concertada. Ela pode e irá
pecar enquanto estiver ativa. Nenhuma quantidade de correção ou supressão poderá
mudar sua natureza. A natureza da velha vida é pecar. Ela precisa ser substituída. As boas
novas são que podemos receber e viver uma Outra Vida. Esta Vida sempre expressa a
natureza divina.
Alguns podem, então, perguntar: Para que serve a Lei? E porquê foram escritos para
nós tantos princípios no Velho e no Novo Testamento? Deus nos deu Sua Lei e os princípios
por uma razão importante. É para nos mostrar o quão longe estamos de Sua retidão. É para
nos convencer do pecado. Quando estamos agindo de uma maneira que não manifesta
Deus, ela nos exporá. A Lei tem suas aplicação para “os injustos e insubordinados, para os
ímpios e para os pecadores, para os profanos e os irreligiosos, para os parricidas e
matricidas, para os homicidas e fornicadores, para os sodomitas, para os seqüestradores,
para os mentirosos, para os perjuros, etc. (Tim 1:9,10). Os padrões de Deus não diminuíram.
Apenas porque nós “morremos para a Lei” (Rom 7:4), apenas porque fomos perdoados,
não significa que fomos liberados para pecar. Não! O padrão de vida de Deus é ainda
maior. O que estamos dizendo aqui é que a retidão requerida por Deus nunca pode ser
encontrada pela velha vida operando através da carne. Não importa quão bem
intencionados, auto-controlados ou determinados possamos ser. Somente a vida de Deus
pode atingir Seus padrões. Somente Ele é verdadeiramente santo.
A Lei e os princípios bíblicos são uma representação da santidade de Deus. Eles nos
mostra, de um modo limitado, quão puro Ele realmente é. Suponha que eu pudesse mostrar
a você um retrato de minha esposa. Você poderia ver a cor dos cabelos dela, seus olhos e
sua bela face. Mas suponha que eu pudesse trazê-la para encontrar você. Como ela é
melhor que o seu retrato! Ela se sentirá insultada se você continuar a olhar para o seu
retrato e não prestasse atenção nela. Ela é o cumprimento de seu retrato. Do mesmo modo,
Cristo é o cumprimento da Lei. Ele não é menos santo. Ele não nos dá permissão para
pecar. Sua intenção é nos preencher com ele mesmo. Ele quer viver em nós e através de nós
de um modo que a Lei seja uma mera sombra da retidão que Ele mostrará através de SeuQueridos amigos, oro para que nosso Pai lhes dê uma inteira compreensão destas
coisas. Verdadeiramente é um mistério. Simples palavras nunca poderão transmitir a
magnitude desta revelação que é “Cristo em vós, a esperança da glória” (Col 1:27). Minha
esperança é que, de algum modo, através destas palavras, vocês possam ser estimulados a
procurar mais por Deus e que vocês possam entrar em tal comunhão íntima com Ele que,
com o tempo, vocês possam declarar como Paulo fez: “Não sou eu quem vivo, mas Cristo
vive em mim” (Gal 2:20).
A SENTENÇA DE MORTE
Nos últimos capítulos temos falado sobre of fato que os verdadeiros cristãos têm,
dentro deles, duas vidas e duas naturezas. Do nosso pai Adão, nós recebemos uma vida
natural, humana (em grego, PSUCHE) com uma natureza caída, pecadora. Quando
“nascemos de novo”, recebemos de Deus, nosso Pai, uma vida não criada (em grego, ZOÉ),
com a natureza divina. Todo crente em Nosso Senhor Jesus Cristo tem, dentro de seu ser,
duas vidas que manifestam duas naturezas diferentes. Consequentemente, quando
vivemos pela nossa vida natural, nós expressamos nossa natureza pecadora e, quando
vivemos pela divina vida, manifestamos a santa natureza de Deus. É aqui, então, que os
cristãos encontram um dilema. Como é possível estar cheio da vida de Deus e manifestá-la?
Além disso, como é possível se libertar da velha vida que constantemente produz pecado?
No capítulo anterior, falamos da necessidade de comunhão com Deus para ser “cheio”
com Sua vida. Agora vamos focalizar o plano maravilhosos de Deus para nos libertar o
pecado.
Para entender completamente o plano, necessitamos compreender inteiramente a
corrupção da natureza humana. Quando Adão e Eva compartilharam da árvore do
conhecimento do bem e do mal, uma mudança profunda ocorreu dentro deles. A
verdadeira natureza de suas vidas foi alterada. Eles se tornaram pecadores. A vida humana
dentro deles, que antes era pura e sem pecado, tornou-se manchada pelo pecado. O fruto
da vida caída é o pecado. É o produto espontâneo da vida caída que está dentro deles.
Os homens hoje pecam, não porque eles escorregam de vez em quando e fazem algo
errado, mas é porque é da sua natureza agir assim. O que provém dele é simplesmente uma
expressão do que está dentro dele. Embora a completa expressão desta propensão para o
pecado seja mantida sob algum controle pelos governos, pressão dos outros e pela
consciência humana, em vários momentos da história este princípio do pecado tem sido
irrestrito. Talvez a história de Sodoma e Gomorra e o mais recente exemplo do holocausto
nazista ilustrem adequadamente este ponto.
Alguns podem argumentar que o homem não é inteiramente pecador. Algumas vezes
o homem natural pode produzir alguns sentimentos e atitudes realmente louváveis.
Certamente é verdade que o homem pode exibir boas qualidades. Mas, mais cedo ou mais
tarde, todos pecam. Pode ser de algum modo escondido, secreto, talvez mesmo somente em
suas mentes, mas “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rom 3:23). Se nós
pudéssemos ver profundamente no coração de cada homem, como Deus faz, sem dúvida
iríamos encontrar em cada “bom” pensamento ou ação um elemento de satisfação própria,
orgulho ou motivação egoísta. Este tipo de egoísmo desqualifica a pessoa de ser
verdadeiramente reta como Deus é. A verdade é que o homem é irreparavelmente pecador.
Talvez uma boa maneira de compreender o problema seja pensar em um jarro cheio
de suco de fruta. Este suco é saudável e delicioso. Mas vamos supor que alguém venha e
jogue um pouco de veneno no suco. Todo o conteúdo fica contaminado. Torna-se
impróprio para beber. Teoricamente, há uma grande quantidade de suco “bom” no jarro.
Mas todo ele se tornou impróprio para beber. Não há maneira de separar o suco do veneno.
A única solução é jogar tudo fora. Dependendo do vasilhame, até mesmo ele deve ser
descartado.
Quando Deus criou o homem, Ele deu instruções referentes à árvore do conhecimento
com um severo aviso. Ele disse: “no dia em que comerdes dela, certamente morrereis” (Gen
2:17). Deus pronunciou esta sentença com razão. Compartilhar desta árvore significava ter
a sua natureza trocada, suas vidas poluídas. A única solução para o pecado é erradicar o
pecador. O pecador, para não pecar mais, certamente deve morrer. No Universo que Deus
criou, este é o único caminho. A solução para o pecado é a morte. O pronunciamento
original de Deus era verdade e ainda é verdade hoje. A Bíblia diz: “ele que morreu, foi
libertado do pecado” (Rom 6:7). Esta é a única possibilidade de livrar a humanidade do
pecado. A própria raça necessita ser eliminada. O veneno contaminador não pode ser
separado do suco. Tudo deve ser jogado fora. Paulo, o apóstolo, confirma esta verdade em
sua própria vida, afirmando: “sim, nós temos a sentença de morte dentro de nós, que não
podemos confiar em nós mesmos, mas no Deus que levanta os mortos” (II Cor 1:9).
O PLANO DIVINO
Nos capítulos anteriores, estivemos vendo que Deus criou o homem com um plano
maravilhoso em Sua mente. Seu desejo divino era formar uma criatura à Sua imagem e
semelhança que, eventualmente, iria receber Sua vida e tornar-se Sua noiva. Com a queda
da humanidade, parecia que este desejo de Nosso Senhor estava impedido. O que
originalmente fora puro e bom, tinha sido contaminado pelo mal. Entretanto, nosso Deus é
extremamente sábio. Mesmo antes da fundação do mundo, Ele anteviu que tudo isto iria
acontecer. Com este conhecimento prévio, Ele planejou e preparou um modo de
eventualmente cumprir tudo aquilo que estava em seu coração.
A primeira parte de Seu plano que compreendemos foi que Deus ofereceu aos seres
humanos uma vida substituta. A vida de Deus (Ef 4:18) que nós podemos receber através
de Jesus Cristo é verdadeiramente a resposta. É esta vida que agrada a Deus e é esta vida
que não vai pecar e, de fato, não pode pecar. Esta é a vida ZOÉ sobre a qual falamos no
capítulo 2.
A segunda parte do plano que estaremos investigando aqui é como a velha vida da
alma, com sua velha natureza, pode ser eliminada. (Vamos ser bem claros aqui que não
estamos falando de perder a nossa vida física, mas sobre a vida da alma ou PSUCHE.) Há
limitado “espaço”, em cada ser humano. Não podemos ser preenchidos até a borda com
duas vidas ao mesmo tempo. Para sermos preenchidos com a vida de Deus (ZOÉ),
precisamos ser libertos de nossa própria vida (PSUCHE). Como compreendemos aqui, a
solução para o problema é a morte. Certamente devemos morrer.
Este é um aspecto do evangelho que poucos cristãos compreendem. Muitas pessoas
recebem a Jesus com a esperança de uma grande melhora em suas vidas. Talvez sejam
levadas a acreditar que irão se sentir melhor, que irão encontrar a solução para todos os
seus problemas ou mesmo que se tornarão ricas e prósperas. Mas a verdade de Deus
aparece sobre elas. Jesus afirmou claramente: “se algum homem quiser vir após mim,
pegue sua cruz e siga-me” (Mat 16:24). Receber o Dom da vida de Deus e seguí-Lo significaque você precisa morrer. Você, sim, você, pecador, precisa ser eliminado do Universo. Esta
é a única solução para você. É parte integral do plano de Deus. Embora nós talvez
prefiramos focalizar o amor de Deus, nossa morte também faz parte do evangelho e, para
realmente compreender o evangelho, precisamos entender o aspecto da morte muito
claramente.
Você realmente foi convencido do pecado? Você realmente compreende pela luz de
Deus o quão mau você é em seu interior? Você realmente se arrepende, não apenas do que
você fez, mas também pelo que você é? Quando você recebeu Jesus, fez isso com a
compreensão de que esse era o fim de sua vida? Se você não pode honestamente responder
sim a estas questões, então o seu relacionamento com Jesus não está correto. Você não
entendeu bem o evangelho e corre o risco de perder a maior parte, se não tudo, do que
Deus tem em mente para você.
Vamos tomar um tempo aqui para falar do batismo. O batismo é claramente parte
integral da mensagem que Jesus pregava. Nós lemos: “Quem crer e for batizado, será
salvo” (Marcos 16:16). Paulo e os outros apóstolos também praticavam o Batismo. Mas o
que batismo significa? Significa que estamos prontos para morrer. Ser imerso na água não é
um banho. Simboliza afogamento, morte. Nós somos batizados na morte de Jesus. (Rom
6:3). Nosso batismo significa que estamos confessando que somos merecedores da morte e
que realmente estamos prontos de desejamos experimentar a morte que Cristo tem para
nós. Significa que compreendemos o nosso pecado e o julgamento de Deus sobre ele. Nosso
batismo testifica até o fim tudo aquilo que éramos, que somos ou mesmo que queremos ser.
Estamos concordando com a sentença de morte de Deus e prontos para que Ele a aplique
em nós. Se você foi batizado sem esta nítida compreensão e convicção você
verdadeiramente tem perdido a mensagem de Jesus.
MORTE E RESSURREIÇÃO
Jesus disse: “Aquele que crer em mim, ainda que esteja morto, viverá” (João 11:25).
Aqui está um grande e importante mistério. Em Jesus Cristo, podemos realmente
experimentar a morte e ainda viver. O julgamento inalterável de Deus de que precisamos
morrer, pode ser executado sobre nós sem nos eliminar completamente. Nosso Pai, em Sua
grande sabedoria, preparou um jeito de passarmos pela morte sem sermos destruídos. Em
Cristo, o que somos como ser humano natural, pode ser crucificado e substituído por tudo
o que Ele é. Nós podemos passar da morte para a vida (1ª João 3:14).
Aqueles que estão em Cristo não evitam a morte. Eles passam através dela. A
necessidade de Deus eliminar os pecadores não mudou e nem pode mudar. Se fosse para
Ele permitir aos pecadores que entrassem em Seu reino eterno, eles iriam poluir o novo
mundo, assim como poluíram o velho. Nenhum pouco de restrição da velha natureza irá
qualificá-los para entrar no reino de Deus. Ela deve ser eliminada. E o será. Glória a Deus
porque Ele preparou um caminho para nós. Nele, podemos experimentar a morte e a
ressurreição. Assim como Noé em sua arca passou pelo julgamento de Deus e não morreu,
assim, em Cristo, nós também podemos passar da morte para a vida.
A cruz de Cristo está no centro da mensagem do Evangelho. Este instrumento romanode tortura e morte está no âmago da cristandade. Mas o que ela significa? Não é apenas um
símbolo cristão ou uma peça de joalheria. Ela fala do final da vida. Ela significa o seu fim.
Significa que você acabou. Suas esperanças, seus sonhos, suas opiniões, desejos, cuidados,
planos e futuro, tudo se acabou. Você foi julgado e crucificado. Não há mais nenhum lugar
para “ego” no Universo de Deus. E, em seu lugar, pode existir a vida de um Outro. Alguém
maior e mais poderoso do que você está pronto e desejoso de preencher você com tudo o
que Ele é. Não será mais você quem será visto e ouvido. Não mais predominará aquilo com
o que você se importa. Ao contrário, o Deus do Universo usará a sua mente, suas emoções,
desejos e mesmo o seu corpo para fazer a vontade Dele na Terra.
Quando Jesus morreu na cruz do Calvário, de um modo espiritual que é difícil
compreender, nós também morremos com Ele. (Rom 6:4-6). Quando Ele foi levantado dos
mortos, nós também fomos levantados com Ele. A cruz de Cristo é um lugar de morte e
ressurreição. É lá que uma troca importante é feita. Na cruz, trocamos tudo o que somos
por tudo o que Ele é. Nossa vida da alma, com sua natureza pecaminosa, morre e a Sua
vida, com a Sua natureza santa, passa a viver em seu lugar. Nós diminuímos e Ele cresce
(João 3:30). Nossa morte com Ele é uma entrega maravilhosa daquilo que somos para que
haja lugar para o preenchimento com tudo o que Ele é.
Se você deseja e está pronto para isto, é uma grande bênção e libertação. Se você ainda
não determinou em sua mente que isto é o que você necessita e deseja com todo o seu ser,
então você terá grande dificuldade em experimentar qualquer progresso espiritual. Sem a
experiência da cruz, não há verdadeiro cristianismo. Sem a morte de Cristo operando
dentro de nós, não pode haver um genuíno caminhar com o Senhor Ressurreto. Somente
através da cruz de Cristo podemos ser libertos do que nós somos e ser preenchidos com o
que Ele é. É a cruz que nos traz para dentro de Deus e que traz Deus para dentro de nós, de
uma maneira poderosa e sobrenatural. Sem morte, não poderá haver ressurreição. (Veja
Filipenses 3:10, 11).
Para andar em “novidade da vida” (ZOÉ) conforme Rom 6:4, nós primeiro precisamos
passar pela morte. Isto não é algo que acontece imediatamente. É um processo gradual. Se
estamos desejando caminhar com Jesus, experimentaremos a morte a cada dia. Paulo
escreve: “Eu morro a cada dia” (I Cor 15:31). Conforme a vida de Deus cresce dentro de
nós, a experiência da cruz se aprofunda. Enquanto estivermos no corpo estaremos sempre
levando conosco a morte do Senhor Jesus, para que a vida de Jesus também possa ser
manifestada” (II Cor 4:10).
A aplicação ou a experiência da cruz de Jesus Cristo – a execução da sentença de Deus
torna-se real para nós através do Espírito Santo. Não é algo que possamos fazer por nós
mesmos. Nenhuma quantidade de esforço irá alterar a natureza íntima da nossa vida da
alma. Mesmo nos empenhando para “negar a nós mesmos” não chegaremos ao alvo.
Conforme nós simplesmente aprendemos a andar no Espírito dia a dia, tudo o que existe
em Cristo torna-se real para nós. A morte de Jesus no cruz torna-se nossa experiência diária
conforme somos continuamente “enchidos” com o Espírito Santo. É o Espírito de Deus que
aplica a morte de Jesus sobre a nossa vida e natureza pecadora. Sua palavra diz: “Se pelo
Espírito, você mortificar os feitos do corpo, certamente você viverá (terá vida ZOÉ) (Rom
8:13).
Esta verdade nos ajudará a compreender a necessidade de ser “preenchido” por Deus
a cada dia. Nossas habilidades e forças naturais não são mais úteis enquanto estiverem
debaixo do controle de nossa velha vida. A menos que estejamos andando diariamente comno Santo Espírito e na luz de Deus, nunca estaremos livres daquilo que somos como
homens naturais. Nunca teremos uma vida vitoriosa sobre o pecado. Somente através da
ação do Espírito Santo tornando a morte de Cristo real para nós, teremos a experiência
diária da ressurreição.
Aqui está o segredo do verdadeiro cristianismo: a experiência da morte e ressurreição
de Jesus. Este segredo foi demonstrado pelos três sábios que vieram ver o Senhor em Sua
encarnação. Estes sábios trouxeram três presentes: ouro, incenso e mirra. Mirra é um
condimento que os homens daqueles tempos usavam para embalsamar corpos mortos.
Portanto, este presente fala da morte de Cristo. Incenso é uma madeira que, quando
queimada, produz uma fumaça suave que sobe, referindo-se à ressurreição e ascensão de
Cristo. Ouro é o único metal que não oxida ou seja, nem enferruja. Ele representa a
natureza incorruptível de Deus. Unir todas estas coisas nos dá um quadro maravilhoso. A
experiência da morte e ressurreição de Jesus nos leva à posse da natureza divina, o ouro
puro que Ele é.
A OFENSA DA CRUZ.
Se você está lendo esta mensagem e de modo algum não foi ofendido por ela, talvez
você não esteja compreendendo bem o que está sendo dito. A pregação da cruz é
verdadeiramente uma ofensa. Para muitos é um ponto de tropeço. Quando Jesus explicou à
grande multidão de seguidores que Ele seria crucificado, a maioria o deixou. Eles foram
ofendidos pela idéia da morte. Paulo claramente nos conta que Jesus é a “pedra de tropeço
e rocha de escândalo” (Rom 9:33). A verdadeira idéia de que o que nós somos nunca será
aceitável a Deus é uma pílula amarga para engolir. Admitir que somos pecadores e que
necessitamos ser substituídos por Outro é humilhante ao máximo. Portanto, somente
aqueles que se humilham podem entrar no reino de Deus. Verdadeiramente, Jesus disse:
“Bendito aquele que não achar em mim motivo de tropeço.” (Mat 11:6).
A cruz de Cristo freqüentemente causa ofensa. Levar à morte áreas de nossa vida que
amamos e que apreciamos pode ser extremamente difícil. O que somos pela natureza, que
aparentemente parece tão bom é, na realidade, um obstáculo ao melhor de Deus.
Entretanto, no calor de nossa situação esta verdade pode ser difícil de ser vista. Embora
possa haver problemas óbvios em nossas vidas, dos quais nos sentimos alegres de nos
livrar, não é raro descobrir que Deus deseja matar algo que nós consideramos precioso.
Precisamos estar preparados para isto. Nossa fé precisa descansar em Deus, acreditando
que Ele vai levantar da morte algo muito melhor do que aquilo que entregamos a Ele.
Infelizmente, muitas crentes caminham tão distante de Jesus. Embora elas continuem
a ser “bons membros da Igreja” e levem exteriormente vidas morais, internamente elas
estão resistindo ao Espírito Santo. Elas chegaram a um determinado ponto em que se
recusam a ceder mais a Deus e lá elas permanecem. Na realidade, tais pessoas pararam de
seguir o Senhor. Esses crentes estão em uma posição espiritual muito perigosa. O
endurecimento do coração de um homem pode ser tão devagar que é quase imperceptível.
Mas, no final, o resultado é destruição. Nada da velha vida será capaz de permanecer na
presença de Deus. Nossa velha natureza adâmica não pode herdar a eternidade.
O trabalho que Jesus Cristo fez na cruz foi completo. É absolutamente suficiente para
